O esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil

Enviada em 26/08/2021

A Constituição Federal de 1988 prevê, em seu artigo 217, o dever do Estado em fomentar práticas desportivas em todo país. Conquanto, tal prerrogativa não tem se concretizado com ênfase na prática - como disserta Gilbert Dimenstein, em seu livro “Cidadão de Papel” - quando observa a falta de investimentos no esporte como ferramenta de inclusão social, corroborando para a entrada de jovens na criminalidade. Dessa forma, por causa da negligência do Estado, bem como a desinformação nas redes sociais, essa consequência é agravada.

Com efeito, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais para combater esse problema. Nesse aspecto, a escassez de projetos estatais que visem à melhoria na infraestrutura esportiva, principalmente, em bairros mais humildes, contribui para a estatização social, como também na introdução de indivíduos ao mundo do crime. Essa conjuntura, de acordo com as ideais do contratualista John Locke, configura-se como uma violação ao “contrato social”, já que o governo não exerce sua função de garantir os direitos civis. Um exemplo disso é a porcentagem de apenas 30% das escolas públicas apresentam quadras desportivas adequadas. Diante dos fatos apresentados, é imprescindível uma ação do Estado.

Nota-se, outrossim, que a desinformação na sociedade brasileira, no que tange à valorização de esportes paraolímpicos, é um grande impulsionador desse impasse. Nesse sentido, devido à falta de informações nas redes midiáticas sobre a importância do incentivo e reconhecimento de práticas esportivas com pessoas com deficiência como meio de inclusão social, há uma segregação desse grupo pela sociedade individualista. Nesse horizonte, segundo a filósofa Simone de Beauvoir, “O mais escandalosos dos escândalos é que nos habituamos a eles”. Desse modo, pior do que a ocorrência dessa problemática, é a indiferença das pessoas em se acostumar com atitudes preconceituosas e discriminatórias. Dessa maneira, é necessária uma mudança de postura da população.

Portanto, percebem-se os entraves que contribuem para a persistência da falta de investimentos, além da valorização do esporte. Destarte, cabe ao Ministério da Cidadania criar projetos nas periferias, por meio de reformas e construções de centros esportivos, também fomentar campeonatos com premiações participativas, no intuito de incentivar os jovens a praticarem atividades, assim, incluindo eles na sociedade. Ademais, é mister ao Ministério das Comunicações abordar a importância de reconhecer e ajudar os praticantes paraolímpicos, mediante propagandas e campanhas publicitárias nos canais de comunicação, a fim de gerar um engajamento social. Assim, será possível edificar uma sociedade permeada pela efetivação dos princípios da Carta Magna.