O esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil
Enviada em 22/08/2021
A Constituição Federal de 1988 prevê, em seu artigo 217, o dever do Estado em fomentar práticas desportivas em todo país. Conquanto, tal prerrogativa não tem se concretizado na prática - como disserta Gilbert Dimenstein, em seu livro “Cidadão de Papel” - quando se observa a falta de investimentos no esporte como ferramente de inclusão social, corroborando para a entrada de jovens na criminalidade. Dessa forma, por causa da negligência do Estado, bem como a desinformação nas redes sociais, essas consequências são agravadas. Assim, faz-se fulcral a análise desses fatores.
Com efeito, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais para combater esse problema. Nesse aspecto, a escassez de projetos estatais que visem à melhoria na infraestrutura esportiva, principalmente, em bairros mais humildes, contribui para a estatização social, como também da introdução de indivíduos ao mundo do crime. Essa conjuntura, segundo as ideias do contratualista John Locke, configura-se como uma violação ao “contrato social”, já que o Governo não cumpre sua função de garantir os direitos civis. Um exemplo disso é a ausência de centros deportivos, quadras, praças nas regiões periféricas, como afirma pesquisa do G1. Diante dos fatos apresentados, é imprescindível uma ação do Estado.
Nota-se, outrossim, que a desinformação na sociedade brasileira, no que tange à valorização de esportistas paraolímpicos, é um grande impulsionador desse entrave. Nesse sentido, devido à inesistência de informações nas redes midiáticas sobre a importância do reconhecimento de práticas esportivas com pessoas de deficiência como meio de inclusão social, há a segragação desse grupo pela sociedade individualista. Nesse horizonte, de acordo com a filósofa Simone de Beauviour, “O mais escandalosos dos escândalos é que nos ahabituamos a eles”. Desse modo, pior do que a ocorrência dessa problemática é a indiferença das pessoas em se acostumar com atitudes preconceituosas e discriminatórias. Dessa maneira, é necessária uma mudança de postura da sociedade.
Portanto, percebem-se o entraves que contribuem para a persistência da falta de investimentos, além da valorização do esporte. Destarte, cabe ao Ministério da Cidadania criar projetos nas periferias, por meio de reformas e construções de centros desportivos, também fomentar campeonatos com premiações participativas, no intuito de incentivar os jovens a praticarem atividades, assim, incluindo eles na sociedade. Ademais, cabe ao Ministério das Comunicações abordar a importância de reconhecer e ajudar os praticantes de esportes paraolímpicos, mediante propagandas e campanhas publicitárias nos canais de comunicações, a fim de gerar um maior engajamento social. Dessarte, será possível edificar uma sociedade permeada pela efetivação dos princípios da Carta Magna.