O esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil

Enviada em 13/08/2021

De acordo com o artigo 217 da Constituição Brasileira, é dever do Estado fomentar práticas desportivas formais e não formais. Contudo, este direito não é efetivamente cumprido, já que diversos desafios, a exemplo da falta de investimento, dificultam a prática de esportes pelos praticantes brasileiros, indo de encontro a um dos principais benefícios da prática esportiva: a integração social. Dessa forma, a fim de alcançar total eficácia, é necessário combater a precarização desse setor.

Em primeiro lugar, vale ressaltar que o desporte promove a integração social porque reúne pessoas de diferentes etnias, classes econômicas, faixas etárias e gênero, submetendo-as aos mesmos regulamentos, sem distinção, variando de acordo com cada modalidade. Consequentemente, devido a esse caráter igualitário e à convivência com as diferenças sociais, promove-se a inclusão e a superação de desigualdades não só durante a realização dos jogos, mas também posteriormente na sociedade. Nesse sentido, tendo em vista o papel integrativo e transformador e de transformação proporcionado por tais atividades, é imprescindível implementar a prática esportiva desde a idade escolar.

Entretanto, a falta de investimentos estatais em tal ramo revela-se por meio dos cortes de incentivo financeiro e prejudica o cumprimento da função social do esporte. Isso dificulta a prática do desporto, principalmente pelas classes de menor poder aquisitivo, uma vez que, sem recursos financeiros suficientes, elas não têm acesso a certas modalidades esportivas. Essa dura realidade está de acordo com a teoria de Gilberto Dimenstein, em sua obra “Cidadão de Papel”, na qual afirma que a legislação brasileira é ineficaz, visto que, embora seja completa na teoria, muitas vezes não se concretiza na prática. Prova disso é a ineficiência estatal em executar de fato o artigo 217. Consequentemente, tal ferramenta, que deveria possibilitar a inclusão social, acaba por reafirmar desigualdades no cenário nacional.

Portanto, o Ministério da Educação deve inserir nas escolas o desporto, mediante aulas de Educação Física, as quais serão ministradas especificamente por profissionais capacitados dessa área. Tal ação terá como objetivo a valorização da prática esportiva, levando em consideração seus benefícios. Concomitantemente, a fim de democratizar o acesso ao esporte e atenuar o precário investimento, urge que o Ministério do Esporte, em parceria com empresas, promova uma maior capitação de recursos a serem aplicados no setor esportivo, por meio de incentivos fiscais proporcionais às doações. Nesse tocante, os projetos beneficiados atenderão crianças, jovens, adultos e idosos de todas as classes. Logo, o esporte poderá cumprir seu valor social na íntegra e proporcionar maior integração social.