O esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil
Enviada em 02/08/2021
No filme “O Bronze”, uma ex-atleta premiada com bronze nas Olimpíadas de Roma de 2004 supera seu egoísmo e inicia uma academia de treinamento de ginástica artística para crianças de sua cidade. Fora da ficção, a prática de esportes, além de auxiliar na manutenção de uma boa saúde, também funciona como mecanismo de participação social, na medida que pode atuar na articulação de classes sociais mais necessitadas. Nesse sentido, o exercício do esporte como ferramenta de inclusão social, inexistente no Brasil pela falta de infraestrutura e pelo preconceito, merece enfrentamento.
Primeiramente, cabe ressaltar como a carência de infraestrutura esportiva própria intensifica a problemática. Em consonância com o pensamento econômico da Escola de Chicago, cabe ao Estado providenciar medidas que garantam um padrão de vida mínimo aos cidadãos. Dessa forma, destaca-se como a falta de investimentos direcionados à prática de esportes no Brasil impede a maior integração das classes sociais que não possuem recursos suficientes para pagar por tais atividades no mercado particular. Logo, a ausência desse tipo de incentivo impede a disseminação ideal de práticas esportivas em comunidades mais carentes, o que resulta numa integração e representação social desigual em eventos olímpicos, por exemplo.
Ademais, é válido entender como preconceitos, de forma geral, podem desestimular a prática universal de esportes. Haja vista que, historicamente, a prática de várias modalidades, como o futebol, criado na Inglaterra, era mantida somente entre os integrantes da elite britânica, o que contrasta com a imagem popular atual do esporte. Apesar disso, a disseminação do mesmo esporte é muito baixa entre o público feminino, o que revela a força de convenções sociais machistas ainda existentes. Dessa forma, a desigualdade de oportunidades atreladas às diferentes classes e gêneros refletem também na pequena representatividade e valorização de minorias nos esportes, como pode ser exemplificado pela diferença salarial de 250 vezes entre os jogadores de futebol Marta e Neymar.
Portanto, medidas são necessárias para a promoção do bem-estar da coletividade. Para tanto, cabe ao Ministério da Cidadania garantir e incentivar a plena prática de esportes, por meio do desenvolvimento de políticas públicas que financiem obras de infraestrutura, como também da abordagem dessa temática nas escolas, de forma lúdica e desconstrutora de preconceitos. Por fim, tais mudanças têm a finalidade propiciar a conscientização da importância e necessidade de práticas esportivas, como também demonstrar sua capacidade de expandir horizontes e estabelecer novas expectativas.