O espaço das mulheres no cenário político

Enviada em 18/07/2023

Promulgada em 1988, a Carta Magna brasileira ficou conhecida como o documento que viabilizaria a equidade entre gêneros no país. Entretanto, em 2018, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) publicou dados que demonstram que os homens são a maioria numérica nas três esferas do poder público, fator que deixa clara a baixa representatividade feminina nas decisões nacionais. Diante disso, para mitigar a problemática, cabe ao Estado viabilizar a maior participação de mulheres no governo, com o devido apoio social.

Sob esse viés, a filósofa Simone de Beauvoir, na obra “O segundo sexo”, sustenta que a inclusão equânime das mulheres no cenário político é obrigação democrática e que a subrepresentação feminina contribui para uma desigualdade crescente no cenário político, a qual é refletida no cotidiano dos indivíduos. Dessa forma, evidencia-se a importância de revisar as leis que versem sobre percentuais míninos de mulheres no parlamento e criar normas que assegurem uma maior presença delas no judiciário e no executivo.

Outrossim, salienta-se a importância do papel social nesse processo. Nesse ínterim, o antropólogo Roberto DaMatta, em “Carnavais, malandros e heróis”, critica a inércia do brasileiro, por esperar que os políticos solucionem todas as mazelas milagrosamente. Em contrapartida, o autor defende que o povo deve agir em prol de suas próprias demandas. Por conseguinte, entende-se que a conscientização social em relação à igualdade de gênero deve ser iniciada precocemente, em âmbito familiar e nas escolas. Além disso, é necessário que os cidadãos cobrem o fiel cumprimento dos preceitos constitucionais supracitados.

Dessarte, depreende-se que o Estado e a sociedade são copartícipes da solução em pauta. Logo, cabe ao Congresso Nacional a abertura de uma comissão especial que atue na elaboração de políticas públicas inclusivas, com foco em fomentar a participação feminina na política. Para isso, os parlamentares deverão ouvir especialistas no assunto, além de promover a conscientização pública nas escolas e universidades, de modo a mostrar a importância da causa. Assim, de forma gradual, a questão será gerenciada e mais mulheres poderão participar ativamente da política e administração pública do país.