O empreendedorismo social e o combate à pobreza no Brasil
Enviada em 01/10/2020
Irineu Evangelista de Souza, Visconde de Mauá, notabilizou-se na história do Brasil pelo caráter de investidor, o que se ilustra pelo trabalho no Banco do Brasil e pela construção da primeira estrada de ferro. Seu espírito empreendedor deve servir de de exemplo no contexto atual, visto que a maioria dos brasileiros encontram-se distantes de tal postura. Com efeito, o acesso privilegiado a esse mundo empreendedor e a ausência de incentivos por parte de instituições de ensino são problemas a serem solucionados na seara atual.
Em primeira instância, cabe reconhecer, que as competências empreendedoras tendem a ser desenvolvidas pelas classes privilegiadas socialmente. Nesse contexto, ganha relevância o pensamento do sociólogo Pierre Bourdieu, especificamente quanto a seu conceito de “capital cultural”, no qual um indivíduo de classe mais favorecida, por possui uma carga de informações, valores e atividades culturais adquiridas na infância, consegue maior destaque socialmente. Assim, é notório que as classes dominantes têm mais acesso ao mundo empresarial, á linguagem do marketing, construindo um currículo que incorpora saberes propícios ao empreendedorismo. Dessa forma, os empreendedores por oportunidade, devido ao poder econômico e estratégico, se sobressaem a empreendedores por necessidade.
Outrossim, destaca-se como as instituições de ensino não têm sido capazes de corrigir tais disparidades. A propósito, Edgar Morin propõe a transdisciplinaridade, a qual visa a construção de competências que sejam relevantes á vida social do educando. Porém, essa ideia ainda não é aplicada, já que nos componentes curriculares das escolas brasileiras, não exploram conhecimentos que possibilitem ao estudante atingir a competência empreendedora sobressaindo finalidades voltadas á formação para o mercado de trabalho. Dessa maneira, forma-se uma população incapaz de desenvolver uma cultura empreendedora.
Impende, pois, democratizar o acesso ao conhecimento empreendedor. Para tanto, o Ministério da Economia deve promover unidades intinerantes, compostas por profissionais da área econômica, que estejam presentes nos bairros prestando atendimento á população, a fim de sanarem as dúvidas. Ademais, o Ministério da Educação pode elaborar um amplo programa de construção de cultura empreendedora a partir de inserções curriculares, na educação básica, de uma disciplina obrigatória em que seria desenvolvida essa competência. Com tais ações, será possível um Brasil composto por uma sociedade com o mesmo espírito empreendedor de Visconde de Mauá.