O empreendedorismo social e o combate à pobreza no Brasil
Enviada em 07/09/2020
No livro “O Menino do Dedo Verde”, do célebre escritor francês Maurice Druon, é retratado a vida do garoto Tistu - que possui um poder que faz com que tudo que ele encoste, com o polegar, vire formosas flores - que, ao ver pela primeira vez um local miserável, usou a habilidade para deixar o local encantador. Dessa forma, atraiu inúmeros turistas e, consequentemente, maior renda para população local - coletivamente construíram um enorme prédio para os moradores, gerando muitos empregos na construção e na manutenção, dessa maneira, acabou com a pobreza local. Nesse sentido, é fato que a realidade apresentada por Druon pode ser relacionada com o empreendedorismo social: sendo os empreendedores representados por Tistu; edifício pela ação dele; comunidade pelos investimentos estatais. Assim, com incentivos governamentais e com um maior número de empresas sociais, pode-se combater à pobreza brasileira.
A princípio, vale ressaltar que o Estado não cumpre o papel de agente que garante o bem-estar coletivo, pois, cerca de 50 milhões de pessoas ainda vivem em condições de pobreza, de acordo com dados do IBGE. Por conta disso, urge os chamados empreendedores sociais, que impulsionam o progresso econômico, a partir de medidas sustentáveis, que gerem não somente dinheiro, mas trazem melhorias em todos os setores de uma comunidade. Sendo assim, minimizam as desigualdades, enquanto, trazem retorno monetário. No entanto, hodiernamente, os elevados impostos, falta de subsídios somados aos altos juros corroboram na persistência da problemática.
Ademais, por conta da falta de investimentos, no setor supracitado, o Brasil ainda tem cerca de 800 negócios de impacto social, segundo levantamento do Sebrae. Sob essa ótica, o governo prioriza somente os grandes oligopólios, enquanto, as empresas sociais, que realmente podem combater os problemas que o Estado não é capaz de resolver, são deixadas de lado. Contudo, muitos empresários ainda lutam por um mundo melhor, exemplificado, por exemplo, na associação Vera Cordeiro: ajuda crianças que vivem abaixo da linha da pobreza com auxílio saúde, alimentação, educação, profissionalização. Logo, para que organizações, como visto na obra “O menino do dedo verde”, não sejam mais utopia é vital mudança nesse quadro caótico.
Portanto, medidas públicas são necessárias para o fim do impasse abordado. Para tanto, o Ministério da Justiça deve criar o programa nacional “Pobreza Zero” que vise o fim da situação de miséria, no Brasil, por meio de subsídios estatais e a anulação de encargos das empresas filantrópicas - pois, dessa maneira, novas associações podem surgir e às existentes conseguem expandir -, objetivando a mitigação da pobreza tupiniquim. Dessa forma, novas “Veras Cordeiros” poderão surgir.