O empreendedorismo social e o combate à pobreza no Brasil
Enviada em 23/10/2020
O empreendedorismo social permite a utilização de recursos financeiros para a resolução de necessidades da sociedade. Assim, a partir da criação de modelos de negócio auto sustentáveis, que tenham como objetivo o atendimento da população ao invés do lucro, é possível solucionar problemas crônicos que perpetuam a pobreza em uma comunidade, como a falta de educação, saúde e infraestrutura básica. Portanto, o negócio social como ferramenta para combate a pobreza existe e é validado pela exemplificação de alguns casos de sucesso. Como exemplo, pode-se citar a facilitação do acesso à água potável em regiões remotas, como a ribeirinha na Amazônia, promovida pelo Projeto Social Amana Katu, e também, o Projeto Minerva que desenvolve uma fonte de renda para mulheres. Primeiramente, a pobreza é agravada pela carência de recursos básicos, como a água, recurso considerado direito humano pela ONU. A falta de acesso à água potável é uma realidade brasileira que se repete até em regiões com vastos recursos hídricos como a Amazônia, onde a água do rio é imprópria para consumo. Nesse cenário, o uso desse recurso poluído intensifica a proliferação de doenças como verminoses, diarreia e hepatite, principalmente em crianças. Para solução do problema, o Projeto Social Amana Katu criou um modelo de negócio que envolve jovens das regiões periféricas de Belém, os quais montam um sistema composto de PVC e galões capaz de tratar a água da chuva, tornando-a potável, o que permite o seu acesso e consumo em regiões remotas. Todo o lucro obtido com a venda desse sistema é utilizado para a doação do equipamento às famílias ribeirinhas.
Ademais, a criação de renda para grupos à margem do mercado de trabalho é uma forma de gerar qualidade de vida, o que impacta positivamente no combate à pobreza. Nesse sentido, o Projeto Minerva, da Universidade Federal do Pará, qualifica mulheres da periferia a partir do ensino de práticas de construção civil, e, também, organizando-as em equipes de trabalho capazes de fornecer serviços de reparos em residências familiares. A renda gerada garante a essas mulheres a oportunidade da independência financeira. Assim, percebe-se o quanto o empreendedorismo social é capaz de influenciar na melhoria do bem-estar e da saúde da população.
Portanto, é de extrema importância a multiplicação de modelos do empreendedorismo social para o combate de problemas enraizados nas comunidades carentes brasileiras. Desse modo, o governo federal deve direcionar recursos para a intensificação de negócios sociais por meio do investimento em projetos já existentes, a fim de ampliar o impacto positivo gerado nas comunidades e beneficiar cada vez mais moradores. Assim, o empreendedorismo social terá maior reconhecimento e os bons projetos se tornarão exemplo para novas boas ideias capazes de combater a pobreza.