O empreendedorismo social e o combate à pobreza no Brasil

Enviada em 03/08/2020

A Constituição Federal de 1988 – norma de maior hierarquia do sistema jurídico brasileiro – garante a igualdade entre os cidadãos. No entanto, a população se mostra distante da realidade prometida pela norma constitucional, ao passo que a acerbada pobreza revela o caráter extremamente desigual no Brasil. Dessa forma, entende-se o empreendedorismo social como ferramenta fundamental para ajudar brasileiros marginalizados. Entretanto, a pouca difusão dessa prática às pequenas empresas, bem como a falta de instrução para que as pessoas ajudadas pelo empreendedorismo social mantenham um melhor padrão de vida, mesmo após os projetos, apresentam-se como entraves para o combate à pobreza no país.

A priori, é necessário ressaltar que o empreendedorismo social é uma prática pouco corriqueira e difundida, principalmente entre pequenas empresas e instituições. A esse respeito, dados obtidos por meio do Portal da Indústria mostram que cerca de 70% das empresas apresentam algum tipo de dificuldade ao tentarem solicitar créditos. Desse modo, é certo que instituições menores possuem empecilhos superiores para realizar projetos que demandam créditos e incentivos, sendo estes claramente escassos. Nesse viés, enquanto somente grandes empresas forem priorizadas, o direito constitucional será uma realidade distante para parte da população, visto que o empreendedorismo social é pouco difundido e incitado entre os empreendedores.

Ademais, outro fator é responsável pela deficiência do uso de projetos sociais para mitigar a pobreza brasileira: a falta de instrução recebida pelas pessoas que são ajudadas por esses empreendedorismos para que elas consigam manter um maior nível social, mesmo após o fim da colaboração institucional. Segundo o filósofo Kant, o homem não é nada além daquilo que a educação faz dele, de fato, a população marginalizada carece de um ensino eficiente que viabilize uma constante mudança econômica e social pautada nos projetos e empreendimentos que contribuem com tal parcela populacional. Nesse cenário, é necessário que haja, não somente, o aumento de empreendimentos sociais, como também a garantia da qualidade de vida pós projetos.

Infere-se, portanto, que a conjuntura é grave e exige proporções capazes de mitigar seus efeitos. Nesse contexto, cabe ao Ministério da Educação – órgão responsável pelo sistema educacional brasileiro – garantir à população marginalizada, que recebe auxílio de instituições vinculadas ao empreendedorismo social, cursos e projetos relacionados a educação financeira, por exemplo. Assim, por meio de trabalhos voluntários educacionais ministrados pelo governo, os brasileiros terão acesso a conhecimentos para viabilizarem o combate à pobreza no país junto ao empreendedorismo social.