O drama das pessoas desaparecidas

Enviada em 08/11/2021

O pintor francês, Eugéne Delacroix, teve a sensibilidade de retratar em sua obra, “A liberdade guiando o povo”, uma mulher liderando um grupo em busca de um fim. Analogamente, a sociedade brasileira carece de um norteador capaz de guiá-la para fora de problemáticas, como o drama das pessoas desaparecidas. Nesse sentido, a falta de segurança urbana e crimes como o tráfico humano, colaboram para o perdurar dessa questão. Dessa forma, são prementes estratégias para mitigar o desaparecimento de indivíduos, em nome de uma sociedade mais segura.

A princípio, é fato que a segurança precária fomenta o aumento dos casos. Nesse contexto, parafraseando o cantor Lulu Santos, nada do que já foi será de novo do jeito que foi um dia. A partir dos versos, nota-se o incessante movimento do mundo e de suas mudanças. Entretanto, a falta de um controle populacional que incorpore todos os órgãos públicos impede essas transformações, haja vista que o baixo investimento na segurança, a desinformação e o descuido relativo ao tema faz com que muitos não percebam o risco existente. Posto isso, em razão dessa carência informacional, muitos tendem a se tornar mais ignorantes, visto que persistem no desprezo à situação alarmante que atinge a todos e promove a destruição de vidas, a exemplo do caso da Madeleine McCann, criança britânica que desapareceu em Portugal em 2007.

Outrossim, o tráfico de pessoas está diretamente atrelado à questão discutida. Sob esse prisma, o psicanalista Antonio Quinet, em seu livro “Um olhar a mais”, defende que a sociedade contemporânea é mediada pelo olhar. Sob essa ótica, é perceptível o olhar maldoso de muitos, o que mitiga a empatia, essencial para a busca de soluções nesse tema, além de suscitar o egoísmo. Isso porque a sociedade se torna gananciosa, o que pode promover atividades ilegais e imorais, como a exploração humana e o sequestro, principais causadores dos desaparecimentos, de acordo com pesquisas da plataforma digital G1. Assim, é inquestionável o impacto do tráfico humano, o que reflete questões, como o desenvolver da depressão pela perda de um parente, por exemplo, tendo em vista a insensibilidade, não só pela vida da pessoa sequestrada, mas também de toda a família.

Infere-se, portanto, que a falha nos sistemas de segurança e os crimes de extorsão geram os desaparecimentos. Logo, é basilar que o Ministério da Educação promova campanhas de incentivo, por meio de propagandas, sobre o drama das pessoas desaparecidas, com exemplos de casos passados, como o da Família Jamison, o qual ainda não se sabe a causa dos desaparecimentos ou das mortes, com o fito de alertar a população sobre os perigos no ambiente social e sobre a importância de investir em segurança. Destarte, as “pedras” no caminho para uma vida mais tranquila podem ser retiradas.