O drama das pessoas desaparecidas
Enviada em 30/06/2021
O longa-metragem “O quarto de Jack” retrata o dilema vivenciado por Joy e seu filho, que são mantidos em um pequeno quarto, cujo único contato com o mundo exterior é uma clarabóia no teto e a frequente visita do “Velho Nick”. Dessarte, a protagonista é sequestrada na adolescência, é mantida em cativeiro por sete anos e seu filho, Jack, é fruto do abuso sexual imposto por Nick. Ao sair da ficção, percebe-se que, analogamente ao filme, pessoas desaparecidas sofrem por estarem em tal situação. Nesse viés, é mister analisar a inconsistente deliberação dos casos e o aumento da violência.
Com efeito, é válido pontuar que o contexto de desaparecimento possui como motivação a instável resolução dos casos. Isso ocorre devido à negligência representativa que, em face da crescente marginalidade urbana, acaba por delongar a inicialização do processo investigativo - que começa somente 24 horas após a ausência da pessoa -, a fim de cuidar de problemas considerados “mais urgentes”. Desse modo, partindo do conto “O país dos chapéus”, do escritor Rubem Alves, o qual evidencia a tomada de decisões de administradores que não visam o progresso social de um reino, observa-se que os representantes continuam a deliberar as investigações com base na manutenção do olhar míope de que a espera por um achamento sem diligência imediata é a primeira medida a ser tomada - possibilitando a fuga do sequestrador - , o que não prioriza o bem-estar da vítima.
Outrossim, esse problema causa um aumento da violência, já que o desaparecimento de pessoas possibilita demais crimes - como abuso sexual, contrabando de órgãos e entre outros - visto que, em cativeiro, os indivíduos são sujeitos a diversas formas de exploração e, inclusive, usados para a marginalidade - a exemplo do tráfico de drogas. Isso ocasiona um retrocesso na conjuntura brasileira à medida que os indivíduos que poderiam ser ferramentas no mercado de trabalho, por exemplo, são usados para o crescimento da hostilidade. Assim, ao tomar como base a ótica do jornalista Gilberto Dimenstein, para quem a violência gera violência, observa-se que o desaparecimento - agressão imposta à vítima - causa ainda mais hostilidade enquanto o sujeito for utilizado para a crueldade.
Portanto, urge que medidas sejam implementadas para solucionar o desaparecimento de pessoas. Sendo assim, cabe ao Ministério da Justiça e Segurança Pública exigir a fiscalização dos casos, imediatamente após a ausência do indivíduo - processo que será feito, inicialmente, com a averiguação do território que ele foi visto pela última vez. Tal ação será viabilizada por meio de notificações enviadas às delegacias policiais e com o acompanhamento de investigadores e familiares do faltante - para um melhor reconhecimento - , a fim de possibilitar uma maior agilidade no achamento dos sujeitos. Dessa forma, episódios como o vivenciado por Joy e Jack não serão mais recorrentes no Brasil.