O drama das pessoas desaparecidas

Enviada em 23/04/2021

O filme “O quarto de Jack” retrata a história de Joy e seu filho, Jack, que são mantidos em um pequeno quarto no qual o único contato com o mundo exterior é uma clarabóia no teto e a regular visita do Velho Nick. Nesse cenário, joy, que é sequestrada ainda na adolescência, é mantida em cativeiro por sete anos e seu filho é futo do abuso sexual imposto por Nick. Ao sair da ficção, percebe-se que no século XXI, tal como a da jovem e de seu filho, pessoas desaparecidas vivenciam realidades drámáticas. Com base nisso, é fundamental entender a motivação e o impacto dessa questão para o tecido social, a fim de mitigar os entraves que impedem a plena liberdade dos indivíduos.

É válido pontuar, primeiramente, que o contexto adverso de desaparecimento possui como ensejo a precária resolução dos casos. Essa questão ocorre devido à inadimplência governamental que, em face da crescente violência urbana, acaba por delongar a inicialização do processo investigativo  - que começa somente 24 horas após a ausência da vítima -, a fim  de cuidar de problemas julgados como “mais urgentes”.  Tal aspecto é semelhante a o que ocorre no conto “O país dos chapeus”, do escritor mineiro Rubem Alves, o qual retrata  um rei que almeja a ascenção intelectual de seu povo e, erroneamente, coloca oportunistas na administração do reino, os quais implementam medidas ineficazes para tal finalidade. Nesse ínterim, a equivocada concepção de que a espera por um achamento sem diligência imediata é a primeira medida a ser tomada, configura um cenário que  facilita a fuga do sequestrador e corrobora a persistência do problema.

Outrossim, esse entrave acarreta, como reverberação social, um aumento da marginalidade, visto que o desaparecimento de pessoas é alavanca para demais crimes - como abuso sexual, homicídio, tráfico de órgãos e entre outros. Nesse sentido, a manutenção de tal óbice corrobora um retrocesso no tecido social, posto que os sujeitos que poderiam ser utilizados como agentes no mercado de trabalho - e consequentemente, contribuintes para o desenvolvimento nacional -, por exemplo, acabam por ser ferramentas no aumento da hostilidade. Dessarte, ao tomar como base o pensamento do escritor  Gilberto Dimenstein, para quem “a violência gera ainda mais violência”, o ciclo da crueldade é sancionado  no cenário verde-amarelo, tornando utópico o ideal de “ordem e progresso”.

A partir do exposto, urge que providências sejam realizadas para a mudança desse cenário. Sendo assim, cabe ao Ministério da Justiça e Segurança Pública exigir a fiscalização dos casos imediatamente após o desaparecimento da vítima. Tal ação será feita por meio de notificações enviadas às delegacias policiais e com o acompanhamento de investigadores, a fim de possibilitar uma maior agilidade no achamento das vítimas. Assim, o episódio vivenciado por Joy e Jack não será mais parte  brasileiro