O drama das pessoas desaparecidas

Enviada em 16/11/2020

O Sistema Nacional de Localização e Identificação de Desaparecidos (SINALID), criado em 2010, surgiu com o intuito de ser um método de enfrentamento ao desaparecimento de pessoas. No Brasil, entretanto, a ocorrência do fenômeno ainda é frequente e aterroriza, principalmente, famílias de classes mais pobres. Nesse sentido, dois aspectos tornam-se relevantes: o perfil do desaparecido e a naturalização da questão.

Inicialmente, pode-se destacar que os menos favorecidos socialmente são a maior parte do quantitativo de desaparecidos. De acordo com pesquisa publicada no portal de notícias G1, a Zona Oeste e a Baixada Fluminense, duas das áreas mais pobres da região metropolitana do Rio de Janeiro, apresentaram o maior número de indivíduos sumidos. Além disso, a reportagem aborda o estereótipo de que quem vive em comunidade é marginal, pois ao denunciar o desaparecimento de pessoas próximas, as famílias veem esse ente querido se transformar em suspeito. Dessa forma, o preconceito impede a investigação acerca do sumiço e, por consequência, aumenta o drama dos parentes na espera de uma resposta.

Outrossim, a banalização da problemática é um dos fatores que contribui para o sofrimento dos familiares. Conforme a teoria da “banalidade do mal” idealizada pela escritora alemã Hannah Arendt, no processo de socialização, foi criada uma multidão incapaz de realizar reflexões morais, razão pela qual aceitam e cumprem ordens sem questionar. Do mesmo modo, o que antes causava comoção popular, passou a ser normalizado, como se fizesse parte da rotina, uma vez que a sociedade se acostumou a ver e ouvir casos de pessoas sumidas. Por conseguinte, a  naturalização da questão provoca a invisibilidade das ocorrências, o que dificulta ainda mais a localização do desaparecido.

Portanto, constata-se que os desaparecimentos são constantes e causam dor às famílias envolvidas, configurando-se como um problema na sociedade brasileira. Sendo assim, é necessário que a mídia, que possui poder de alcance entre massas, forneça espaço nos meios televisivos e nas redes sociais para a divulgação de casos e orientações acerca do funcionamento do SINALID, por meio de propagandas televisivas em horário de maior audiência e reportagens nos principais telejornais e plataformas on-line. A ação proposta tem a finalidade de propagar informações sobre os desaparecidos e, consequentemente, maximizar as chances de achar essas pessoas.