O drama das pessoas desaparecidas
Enviada em 13/01/2021
O livro Holocausto Brasileiro retrata a história do Hospital Colônia, em cerca de 60 anos, o qual foi responsável pelo desaparecimento e morte de mais de 50 mil pacientes. Contudo, o sentimento de impotência e impunidade repercute, ainda hoje, na sociedade verde amarela e no mundo, induzido pelo drama das pessoas desaparecidas. Nessa lógica, essa situação adversa internaliza na coletividade o medo desse evento misterioso. Com efeito, a mazela é fruto, sobretudo, tanto do diminuto diálogo sobre a temática quanto da ineficiência dos órgãos públicos de busca.
Em primeiro lugar, embora o desaparecimento de indivíduos seja capaz de sensibilizar a sociedade, há nesta uma fraca discussão sobre a problemática. Acerca disso, o médico Sigmund Freud, em seu livro Totem e Tabu, descreve os totens como elementos relevantes para uma comunidade, ao passo que os tabus são assuntos delicados, então, pouco discutidos. Nessa lógica, o tabu desse estorvo é nocivo, em razão de internalizar o medo de desaparecer e ser responsável pela manutenção do desafio. Logo, enquanto a ignorância em relação à evasão persistir na coletividade, a paz será exceção.
Por conseguinte, apesar dos esforços das organizações de busca governamentais, como o Cadastro Nacional dos Desaparecidos, no Brasil, a burocratização desses serviços, majoritariamente, torna esses improdutivos. Em relação a isso, segundo o sociologo Darcy Ribeiro é dominante, na terra brasílica, uma cultura burocrática, em que em busca de conforto os cidadãos atuam de maneira passiva diante de contrariedades, similar ao observado na obra Holocausto Brasileiro. E, consequentemente, a indiferença com o elevado número de desaparecimentos diariamente. Comprova-se, assim, por uma pesquisa divulgada pelo jornal Globo, em 2019, que cerca de oito pessoas “somem” a cada hora no Brasil. Destarte, a postura apática das entidades públicas.
Portanto, a fim de superar o drama do desaparecimento, é necessário afrontar o problema. Dessa maneira, urge que a mídia promova ações de “merchandising” social, por meio da inserção do tema em telenovelas, filmes e peças de teatro. Posto isso, o programa poderá ser chamado de “A procura da união”. Espera-se, como resultado, o posicionamento ativo das autoridades na modernização dos serviços de procura. Nessa perspectiva, aguarda-se a “Totemização” - transforma-se expressivo - do desaparecimento, como também, o desfecho da tese de Ribeiro.