O desemprego e as relações trabalhistas em debate no século XXI
Enviada em 16/01/2021
Na obra “Os Operários” de Tarsila do Amaral em 1933, é retratado o processo de imigração de milhares de pessoas para trabalhar nas indústrias de São Paulo. Nesse sentido, os traços da artista revelam o semblante cansado mediante as mudanças radicais vivenciadas na década de trinta. Fora da tela, é fato que o desemprego e as relações trabalhistas apresentadas podem ser relacionadas àquela do século XXI: a persistência do desemprego frente a mudanças de paradigmas e legislações trabalhistas falhas.
Em primeiro lugar, é importante destacar que apesar da significativa industrialização do século passado, o desemprego é um fenômeno que ainda assola milhões de pessoas em todo o mundo. De acordo com o IBGE em 2020 só no Brasil cerca de quatorze milhões estão nessa situação. Assim, dentre muitos fatores destaca-se o modelo educacional predominantemente tradicional que não forma profissionais aptos a se adaptarem as rápidas mudanças do mercado, típicas da atual revolução técnico-científica-informacional e sazonalidades econômicas.
Além disso, o filósofo Zygmunt Bauman analisa a sociedade contemporânea e globalizada como uma “modernidade líquida”. Segundo ele, a liquidez e a volatilidade das relações seriam características que vieram desorganizar todas as esferas da vida social, inclusive o trabalho. Em consequência desse paradigma, as leis trabalhistas precisam se adaptar para assegurar acordos justos entre patrões e colaboradores diante de novas profissões,como também modalidades de trabalho para evitar demissões.
Portanto, é mister que o Poder Legislativo em parceria com a sociedade desenvolva reformas nas leis, por meio de debates com sindicatos. Desse modo a fomentar adaptações oportunas a manutenção de contratos de trabalho e capacitação profissional, como por exemplo: a flexibilização de cargas horárias voluntariamente em detrimento de maior remuneração e a criação de cursos técnicos específicos para novas áreas de atuação.