O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 20/03/2018
Na sociedade do século XIX, a beleza da mulher se encontrava nas roupas, na postura e a máxima expressão de vaidade no corpo era uma cintura fina obtida através do uso de cintas e espartilhos. Antagonicamente, a obsessão por um corpo magro, sem excesso de gordurinhas tem sido constante no contexto atual. Hoje, a mídia tem ditado padrões e estilos de vidas utópicos que acarretam uma busca exagerada pela perfeição. Dessa maneira, é importante entender as influências e impactos dessa ditadura corporal na vida das mulheres.
“Meu corpo não é meu corpo. É ilusão de outro ser’’. Esta frase de Carlos Drummond de Andrade expressa o sentimento vivenciado por muitas brasileiras. Diante das falsas imagens divulgadas nas redes sociais de modelos magérrimas ou de corpos avantajados, muitas jovens acabam utilizando recursos inadequados para garantir a medida ideal: dietas sem a devida orientação médica, uso de medicamentos ilegais e cirurgias plásticas são os meios mais explorados segundo especialistas. Entretanto, o anseio por garantir o corpo perfeito ofusca as possíveis consequências advindas de tais atos: transtornos alimentares, como a anorexia ou até mesmo a perda da movimentação do corpo, devido a falta de vitaminas.
Ademais, convém enfatizar que a atual realidade, em consonância com a teoria do Super Homem de Nietzsche, demonstra a necessidade de superar os valores pré-estabelecidos pela mídia, que se sobrepõem à liberdade individual. As propagandas que circulam os canais midiáticos, tentam ofertar o que não se pode comprar: sucesso e felicidade. Frequentemente vê-se um novo lançamento de produto estético que realiza o milagre da perda de peso, do desaparecimento de rugas ou celulites. Para atrair o consumo, as empresas divulgam imagens de artistas ou modelos famosos utilizando tais produtos. Dessa forma, tentam convencer que a aquisição dessas mercadorias trará uma reputação de sucesso. Fica evidente, portanto, a importância de se discutir os efeitos gerados pela ditadura de tais padrões estéticos. Diante disso, faz-se necessário que os canais televisivos atuem em conjunto para desmistificar a padronização corporal, promovendo, desse modo, a diversidade das aparências. Por meio de propagandas, séries e documentários, devem destacar a beleza particular de cada mulher: a inclusão de artistas e modelos que demonstrem essa variedade, por exemplo, despertará no público um olhar mais amplo e levará a uma aceitação pessoal. Dessa forma, além de garantir a liberdade individual, a sociedade caminhará ao encontro da teoria de Nietzsche, superando os valores impostos sobre as mulheres.