O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 19/03/2018

Na sociedade do século XIX, a beleza da mulher se encontrava nas roupas, na postura e a máxima expressão de vaidade no corpo era uma cintura fina obtida através do uso de cintas e espartilhos. Antagonicamente, a obsessão por um corpo magro, sem excesso de gordurinhas tem sido constante no contexto atual. Hoje, a mídia tem ditado padrões e estilos de vidas utópicos que acarretam uma busca exagerada pela perfeição. Dessa maneira, é importante discutir os impactos dessa padronização no cenário contemporâneo brasileiro.

“Meu corpo não é meu corpo. É ilusão de outro ser’’. Esta frase de Carlos Drummond de Andrade ilustra a realidade vivida por muitas mulheres brasileiras. As propagandas que circulam os canais midiáticos, tentam ofertar o que não se pode comprar: sucesso e felicidade. Frequentemente vê-se um novo lançamento de produto estético que realiza o milagre da perda de peso, do desaparecimento de rugas ou celulites. A incessante busca por uma felicidade utópica divulgada por esses meios, tem acarretado um consumo desenfreado por esses produtos. No entanto, a ilusória publicidade leva a uma grande frustração por não trazer os benefícios que promete.

Ademais, as falsas imagens divulgadas nas redes sociais de modelos magérrimas ou de corpos avantajados, suscita nas jovens uma idealização corporal. Diante disso, estas acabam utilizando recursos inadequados para garantir a medida ideal: dietas sem a devida orientação médica, uso de medicamentos ilegais e cirurgias plásticas são os meios mais explorados segundo especialistas. Entretanto, o anseio por garantir o corpo perfeito ofusca as possíveis consequências advindas de tais atos: transtornos alimentares, como a anorexia ou até mesmo a perda da movimentação do corpo, devido à falta de vitaminas. Como exemplo, pode-se citar o caso da cantora Lady Gaga, diagnosticada com anorexia.

Fica evidente, portanto, a magnitude dessa problemática no cenário atual brasileiro. Diante disso, faz-se necessário que os canais televisivos atuem em conjunto para desmistificar a padronização corporal, promovendo a diversidade das aparências. Por meio de propagandas, séries e documentários, devem destacar a beleza particular de cada mulher: a inclusão de artistas e modelos que demonstrem essa variedade, por exemplo, despertará no público um olhar mais amplo e levará a uma aceitação pessoal. Dessa forma, será possível romper com os padrões estéticos pré-estabelecidos e permitir que as mulheres sejam livres para determinar o seu próprio conceito de perfeição.