O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 20/03/2018

A luta pela boa forma é uma compulsão que logo se transforma em vício, cada dose precisa ser seguida de outra. A frase do sociólogo Zygmunt Bauman, deixa explícito que o indivíduo nunca está satisfeito com o que realiza e sempre vai tentar buscar outras formas de melhorar. Nesse contexto, deve-se analisar como a sociedade e a indústria cultural interferem na vida da pessoa influenciando-a na busca pela forma ideal.

Primeiramente, deve-se observar a pressão social que leva o ser humano a ambição da estética perfeita, físico magro e escultural. Mesmo que, no Brasil contemporâneo, exista uma enorme diversidade humana, a sociedade ,ainda, impõe o padrão de beleza a ser seguido, havendo intolerância contra aqueles considerados diferentes. Isso decorre, conforme defendeu Émile Durkheim, do fato social que induz o indivíduo a uma caça pelo corpo ideal, o padrão, para agradar a população e evitar comentários preconceituosos. Vale ressaltar, que essa pressão é direcionada ,principalmente, para o público feminino jovem que desde a infância, em inúmeros casos, já são moldadas há sempre terem uma boa aparência, serem elegantes. Por consequência, transtornos alimentares podem ser desenvolvidos, sobretudo, a anorexia, com a ilusão de ser gordo, mas na realidade está o oposto.

Paralelo a população, há a intervenção da indústria cultural na mente do ser humano a fim de aliená-lo. Isso decorre porque ela sempre visa o lucro, desenvolvendo necessidades no homem sem se importar com as consequências que podem ocasionar no indivíduo, criando produtos mensuráveis e utilitários com o objetivo de haver  uma resposta para a insatisfação em relação ao corpo. Há, por exemplo, propagandas idealizadoras com mulheres magras fazendo comerciais de produtos com o intuito de atrair os olhares das consumidoras, que são os principais alvos.  Dessa forma, cria-se um desagrado com a própria estatura e uma ambição pela estética sublime. Em decorrência disso, além de poder haver o desenvolvimento de distúrbios alimentares, há também o crescimento de um consumo em massa, a fim de obter a estrutura corporal ideal, com uso de produtos.

Urge, portanto, que a sociedade e as instituições públicas cooperem para mitigar essa ambição estética. Cabe aos cidadãos desconstruir essa questão de padrão de beleza, com a criação de projetos com palestras, principalmente em escolas, debatendo sobre as consequências que desenvolvem esse paradigma, como a exclusão, e sobre a verdadeira essência humana, o caráter, a fim de a população respeitar o próximo como ele realmente é. O Ministério Público, em parceira com o Ministério da Saúde, deve auxiliar as pessoas que sofrem de algum distúrbio alimentar, com profissionais dessa área, e alertar outras sobre os prejuízos que podem resultar na busca ambiciosa de um corpo perfeito. Assim, amenizando os casos de compulsão.