O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 14/03/2018

Na sociedade do século XIX, a beleza da mulher se encontrava nas roupas, na postura e a máxima expressão de vaidade no corpo era uma cintura fina obtida através do uso de cintas e espartilhos. Antagonicamente, a obsessão por um corpo magro, sem excesso de gordurinhas tem sido constante no contexto atual. Hoje, a mídia tem ditado padrões e estilos de vidas utópicos que acarretam uma busca exagerada pela perfeição. Dessa maneira, é importante discutir os impactos dessa padronização no cenário contemporâneo brasileiro.

“Meu corpo não é meu corpo. É ilusão de outro ser’’. Esta frase de Carlos Drummond de Andrade ilustra a realidade vivida por muitas mulheres brasileiras. As propagandas que circulam os canais midiáticos, tentam ofertar o que não se pode comprar: sucesso e felicidade. Frequentemente vê-se um novo lançamento de produto estético que realiza o milagre da perda de peso, do desaparecimento de rugas ou celulites. A incessante busca por uma felicidade utópica divulgada por esses meios, tem acarretado um consumo desenfreado por esses produtos. No entanto, a ilusória publicidade leva a uma grande frustração por não trazer os benefícios que promete.

Ademais, as falsas imagens divulgadas nas redes sociais de modelos magérrimas ou de corpos avantajados, muitas vezes favorecidos pelo uso de Photoshop, suscita nas jovens um anseio de mudar o seu corpo. Diante disso, essas acabam recorrendo a dietas inadequadas, sem a devida orientação médica, o que pode resultar no surgimento de graves problemas de saúde: transtornos alimentares, como a anorexia ou até mesmo a perda da movimentação do corpo, devido à falta de vitaminas. Outrossim, a insatisfação pessoal, tem levado, a uma busca por cirurgias que corrijam suas falhas. Entretanto, muitas garotas procuram meios ilegais de realizarem tais cirurgias e acabam tornando o desejo em um sofrimento devastador.

Fica evidente, portanto, a magnitude dessa problemática no cenário atual brasileiro. Diante disso, faz-se necessário que a rede midiática desmistifique a padronização corporal, promovendo a diversidade das aparências. Por meio de propagandas, séries ou documentários deve destacar a beleza individual de cada mulher: a inclusão de artistas e modelos que demonstrem essa variedade, por exemplo, despertará no público um olhar mais amplo e levará a uma aceitação pessoal. Dessa forma, será possível romper com os padrões estéticos pré-estabelecidos e permitir que as mulheres sejam livres para determinar a sua própria perfeição.