O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 09/03/2018
Na mitologia Grega há uma fábula sobre Narciso, um jovem que definhou até a morte de tanto contemplar sua bela autoimagem. Conto ou não, essa fábula revela o atual dilema de muitos brasileiros: a cultura ao corpo perfeito. Diante disso, surge a problemática da estética sobrepujando a saúde e aonde o apelo da mídia aliado da desinformação populacional figuram como agentes mobilizadores.
O “the perfect body” com modelos magras tidas com o corpo perfeito foi como a grife americana Victoria’s Secrets anunciou sua campanha a alguns anos atrás. Esse papel imponente da mídia e de outros agentes de comunicação reforçam a cultura ao corpo esbelto sendo cada vez mais comuns anúncios de cosméticos, vestuários, cirurgias plásticas inovadoras e outros sobre como alcançar um corpo perfeito. A disseminação é tão massiva e impactante que qualquer brasileiro não estereotipado adentra a essa cultura. Mais inquietante ainda é que o público infanto-juvenil em plena construção de caráter acaba por ser influenciado negativamente no culto ao corpo dito ideal.
Segundo a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia um em cada 16 jovens fez uso de esteroides anabolizantes e de acordo com a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica o Brasil é recordista mundial no turismo das plásticas. Dados impactantes e que revelam o quão sério é a problemática atual. Tem-se aí problemas de saúde resultantes dessa busca implacável pelo corpo estereotipado, desde um dano reversível até uma fatalidade. Uma vez Shakespeare questionou a verdade sobre a beleza, hoje ele estaria atônito.
Diante disso, ações para desconstruir a cultura do corpo belo devem ser iniciadas. De imediato é necessário uma autorregulamentação por parte do governo e das famílias sobre mensagens publicitarias e de outros canais de comunicação que reforcem a “massificação estética” e vetar aquelas com conteúdo influenciador e temático. No mesmo ângulo, cabe as escolas desenvolver palestras, fóruns e atividades que procurem desrobotizar a mentalidade sobre corpo ideal e trabalhar questões de autoaceitação e individualidade. Finalmente, campanhas nacionais sobre os malefícios do uso de anabolizantes e o risco de cirurgias plásticas clandestinas devem ser realizadas a fim de promover reflexão e cuidado