O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 06/03/2018

O culto exacerbado à estética do corpo perfeito é uma marca definitiva do século XXI. Industrias de moda e cosmética nunca cresceram tanto como nos últimos anos, influenciando a vida dos indivíduos que são instigados pela mídia a seguir padrões. No entanto, seguir esse protótipo causa prejuízos físicos, mentais e sociais.

Segundo Pierre Bourdieu, sociólogo francês, a linguagem corporal é marcadora pela distinção social, que coloca o consumo alimentar, cultural e forma de apresentação como o vestuário, e higiene como cuidados de beleza, como os mais importantes modos de se distinguir dos demais indivíduos. A partir de 1980 o corpo ganha mais espaço, principalmente nos meios midiáticos pelos diversos formatos de apresentação, e pela criação das revistas como a “boa forma’ e corpo a corpo”, que até hoje circulam nas bancas brasileiras. Cada vez mais propagandas vinculados ao aperfeiçoamento corporal tem se fortalecido, são apresentações de produtos milagrosos que enchem os olhos do consumidor, como remédio de emagrecimento, roupas que modelam o corpo, shampoos que prometem o cabelo dos comerciais e creme anti sinais,o que provoca a eterna imagem da juventude como exemplo a ser seguido.

A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica estima que em 2011 a estimativa era de 130 mil operações em crianças e jovens que buscam a padronização ditada pelo modismo. Doenças como a anorexia que é a vontade incessável de emagrecer, e a vigorexia que é a vontade de ter um corpo extremamente malhado, visto que o Brasil é o segundo país com o maior numero de academias. Pessoas que não se encaixam nesses moldes, se vêem diferentes e até mesmo excluídas, pela carga social que a imagem carrega, é como se o sucesso de um individuo se estende pelo seu corpo. São casos de depressão entre muitos brasileiros, que almejam a perfeição, mulheres não saem de casa com vergonha do cabelo, do corpo, da roupa, se sentem fora do grupo social, e estabelecem uma rivalidade com o espelho, as vezes já pré estabelecida pela família.

Para que o problema do culto á padronização corporal seja enfrentada, o governo deve fazer uma parceria com os meios de telecomunicação, formando campanhas que engrandeçam todos os biotipos, seja em propagandas, desfiles de moda em praça pública ou desenhos animados, assim também fazendo com que as industrias ampliem seu público alvo. Cabe a Secretaria da Saúde fornecer mais informação a respeito das doenças causadas por distúrbios alimentares, e onde encontrar ajuda. E aos pais cabe conscientizar seus filhos sobre os males de seguir essa padronização, e ensinar desde cedo a ter amor próprio, para que haja uma melhor aceitação da individualidade.