O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 20/02/2018
De acordo com Zygmunt Bauman, sociólogo polonês falecido em janeiro de 2017, a velocidade é a principal marca dos dias de hoje. Nesse sentido, a rapidez que caracteriza a pós-modernidade afeta negativamente diversos aspectos da vida cotidiana, dentre eles, a relação das pessoas com a padronização ao corpo no Brasil. Um grave reflexo dessa conjuntura, é o alarmante crescimento da indústria do culto ao corpo, bem como da busca incessante pelo padrão de beleza. Logo, é imperativo que o poder público e a sociedade se unam para enfrentar esse problema.
Desde o surgimento do capitalismo que o consumo no Brasil teve um grande aumento, com a indústria de beleza e boa forma, nos últimos anos, também não foi diferente. Com a difusão do conceito de beleza, aliado à saúde, bem-estar e sucesso criado pelo discurso veiculado pela mídia, a oferta e procura por bens e serviços que reforçam e ajudam os indivíduos a alcançarem esse ideal vêm crescendo vertiginosamente. Como exemplo disso temos que o número de intervenções cirúrgicas nos homens quadriplicou, passando de aproximandamente 70 mil para 275 mil ano ao ano. Esse aumento exarcebardo pode estar colocando a saúde das pessoas em risco por não impor limites no que absorver da mídia, ou seja, o que deve-se buscar sempre é o equilíbrio entre o estar bem consigo e a saúde.
“As feias que me perdoem, mas beleza é fundamental.” O famoso verso do poeta Vinicius de Moraes é capaz de sintetizar muito bem o pensamento hegemônico vigente há alguns séculos. A Idade Contemporânea trouxe várias mudanças e inovações, dentre elas a construção e o fortalecimento de padrões estéticos, em centro urbanos, até então adotados e compreendidos majoritariamente pelas nobrezas aristocráticas. À consolidação dessa concepção trouxe malefícios para a sociedade, como: a insatisfação com o corpo, a anorexia, bulemia, transtornos alimentares em geral, o vício pelo corpo ideal, o bullying, o suicídio, entre outras mazelas. Tais fatos pode ser ratificado pela apatia do meio estudantil, por exemplo, frente aos inúmeros casos de bullying nas salas de aula relacionados aos padrões de beleza impostos pela sociedade.
O combate a cultura da indústria da padronização dos corpos aliado à mudança dos padrões de beleza impostos pela sociedade são, portanto os caminhos que precisam ser trilhados pela sociedade objetivando combater a padronização do corpo. Para tanto, o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (CONAR) deverá regular propagandas que incitem a adoção de padrões estéticos com maior rigidez, para que promova com isso a diversidade de aparências. Ademais, o Ministério da Educação, aliado com escolas das redes públicas e privadas, devem propor atividades que abordem esse tema com intuito mitigar a padronização de beleza.