O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 20/01/2018

Consoante o sociólogo Karl Marx, o ser humano é fruto do meio em que vive. A partir de tal máxima, dessume-se as razões do estabelecimento de padrões ao longo da história da humanidade, a qual busca sempre encaixar-se no tido como correto. Nesse contexto, o papel exercido pela sociedade na imposição de tipos corporais adequados é inegável, assim como as consequências dessa mentalidade.

Em primeiro lugar, a hodierna amplitude alcançada pelos estigmas estéticos relaciona-se diretamente ao surgimento da indústria cultural. Segundo os sociólogos Max Horkheimer e Theodor Adorno esse fenômeno, que tende à homogeneização e à padronização dos gostos, caracteriza-se pela influência alcançada pelos meios de comunicação de massa. De fato, a falta de representatividade midiática é algo que leva muitos homens e mulheres - sobretudo adolescentes - “fora dos padrões” a alavancarem sua busca desenfreada pelo corpo ideal.

Sob esse viés, depreende-se a influência exercida pela mídia na vida dos consumidores, os quais tornam-se mais vulneráveis a patologias que atingem tanto a mente quanto o corpo. Principalmente no Brasil, país tropical reconhecido por suas várias “garotas de Ipanema”, a coercitividade social no que concerne a padrões de beleza é evidenciada. Dessa forma, doenças alimentares como bulimia, anorexia e vigorexia não encontram embargos para manifestarem-se.

Sendo assim, é imperiosa a necessidade de ação por parte da mídia. Esse agente, tendo em vista a sua visibilidade e influência, deve buscar ampliar a diversidade corporal em suas áreas de atuação, como filmes e programas, aumentando a chance de participação daqueles que não são aceitos pelos padrões, de modo que os telespectadores semelhantes sintam-se representados. Ademais, as escolas precisam difundir a aceitação entre os alunos, evidenciando a importância do cuidado com a saúde, uma vez que só assim estigmas serão quebrados e, alterando o atestado por Marx, o ser humano também passará a modificar o meio.