O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 23/12/2017

O Renascimento, que moldou a arte entre os séculos XIV e XVI, tem como característica fundamental a valorização da perfeição na representação do corpo humano. De forma análoga aos ideais de beleza exigidos nas pinturas e esculturas renascentistas, a sociedade moderna esculpiu um ideal de perfeição corporal. Com efeito, não é razoável que a imposição de um padrão estético inacessível persista, pois tal situação se caracteriza como nociva a saúde física e psicológica, tanto de indivíduos que não se enquadram quanto dos que o perseguem como meta de vida.

É tácito que o modelo construído de beleza e de corpo “perfeito” não respeita a existência de biotipos variados. Essa exigência, que recai principalmente sobre as mulheres, caracteriza-se pela tirania da magreza. Assim, ao não possuir um corpo que obedeça naturalmente a tal premissa, o indivíduo encontra a necessidade de se conformar aos padrões, sempre buscando – através de dietas restritivas, excesso de exercícios físicos e cirurgias plásticas – adequar-se às determinações culturais. Por essa razão, sacrifica-se a própria saúde em nome do “status quo” de beleza, haja vista, vigora a obsessão maléfica pelo estereótipo corporal, o que desencadeia distúrbios como anorexia, bulimia e vigorexia.

Outrossim, é indubitável que, na vigência do sistema capitalista, a mídia determina tendências e direciona o pensamento social. A esse respeito, o sociólogo Herbert Marcuse afirmava que mensagens midiáticas bombardeiam os cidadãos com promessas de felicidade ao fazer ou adquirir coisas em busca da beleza. Dessa forma, acredita-se que falsas necessidades de cultuar o corpo perfeito são reais, isso porque o estado capitalista e suas forças consumistas controlam a mídia, que passa a refletir e disseminar valores dominantes, levando a sociedade a comprar estilos de vida. Destarte, a lógica do mercado impõe cosméticos, procedimentos estéticos e cirúrgicos, alimentos hipocalóricos e treinamentos rigorosos, a fim de induzir o consumo por pessoas que buscam atingir padrões, todavia, quando não o atingem elas se tornam depressivas e apresentam baixa autoestima.

Infere-se, portanto, que o culto ao corpo impera como empecilho ao bem-estar individual. Logo, cabe às Ongs fiscalizar ações publicitárias que lançam mão de padrões de beleza para vender produtos, mediante incentivo à denúncia pelo consumidor, com intuito de reduzir a veiculação da imagem de “corpos ideais”. O Estado deve dar apoio profissional aos que já sofrem com alguma problemática decorrente dessa obsessão, a fim de reduzir os danos à saúde, por meio de acompanhamento médico e psicológico em centros construídos para essa função. Ademais, a família deve estimular nas crianças o desenvolvimento de talentos particulares, com o propósito de reduzir a valorização da beleza física ao despertar a importância de outros predicados, que não os preestabelecidos pela sociedade capitalista.             preestabelecidos pela sociedade capitalista.