O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 03/11/2017

No que tange ao culto à padronização corporal no Brasil, é possível afirmar que o contexto social em consonância com o ambiente no qual o indivíduo está submerso, de certa forma, corrobora com a construção de uma visão fisiologicamente preconceituosa; fazendo com que crianças e adolescentes cresçam com objetivos de alcançar modelos corporais pré-fixados pela sociedade. Nesse sentido, convém à análise das principais consequência a curto e a longo prazo dessa problemática.

Em primeira instância, a curto prazo, nota-se que a rotulagem do corpo perfeito entregue a sociedade, é uma tática de marketing; isso se evidencia, principalmente, pelo superfaturamento da industria de estética e cosméticos. Segundo o conceito de Industria Cultural, proposto por Adorno e Horkheimer, a mídia não possui mais a intuito de apenas entreter o público, entretanto o de lucrar sobre os telespectadores. Dessa forma percebe-se que para alcançar o corpo ideal é necessário um largo investimento financeiro, cuja recompensa é servir de molde aos demais.

Em segunda instância, é sabido que a imposição de padrões pode acarretar, a longo prazo, na promoção do preconceito. Uma vez que o indivíduo cujo padrão se diferencia do modelo proposto pela televisão, por exemplo, encontrará mais dificuldades para conseguir emprego. Outrossim, criança e adolescente quando exposto à um ambiente preconceituoso, tende a apresentar intolerância com seu próprio corpo. Dessa forma percebe-se que a insatisfação pessoal pode afetar a saúde, visto que os não satisfeitos procurarão por métodos arriscados para atingir os objetivos.

O idolatria ao corpo perfeito, portanto, é fruto, principalmente, da ação midiática que implanta na sociedade padrões com finalidades lucrativas. Sendo assim, o legislativo deve diminuir o poder da mídia, sobretudo a tv, por meio de leis que inibam a divulgação excessiva de padrões físicos em horários nobres, com o fito de diminuir o alcance. Em consonância a isso a família deve ensinar às crianças e adolescentes, tática de aceitação própria a fim de mostrá-los a capacidade que cada ser humano tem de ser único.