O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 03/11/2017

Não à padronização

O Brasil tem como forma de economia o capitalismo, onde o maior objetivo é obtenção de lucro. É natural que exista a venda dos mais diversos tipos de mercadorias. O mercado dos produtos de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (HPPC) é um dos maiores em todo mundo, e o Brasil tem lugar garantido no ranking dos maiores consumidores. Em uma sociedade de consumo que “vende” padrões inatingíveis de beleza, é natural que ocorram danos físicos e psicológicos aos nela inseridos.

Em primeiro lugar, é necessário observar como a medicina é usada a serviço da beleza, e não da saúde. Os que tentam fazer parte dos padronizados já estão inseridos ironicamente em um padrão econômico-social, visto que as classes com menos poder aquisitivo não conseguem arcar com a quantidade de procedimentos estéticos normalmente necessários. A cirurgia plástica é um dos primeiros passos aos que querem se enquadrar nos estereótipos, normalmente realizadas em grandes quantidades e curtos períodos de tempo, o que pode gerar graves problemas à saúde, como os vivenciados pela modelo Andressa Urach vítima de uma infecção causada por complicações de uma aplicação de hidrogel.

Além disso, é  imprescindível considerar os problemas psicológicos causados pelo ideal inatingível. A frustração e a baixa autoestima está muito presente na vida dos estereotipados. A constante preocupação com a aparência ideal leva os indivíduos aos distúrbios alimentares como a anorexia, bulimia e vigorexia. Ademais, todas essas complicações fazem parte também da vida dos não-padronizados, que sofrem em dobro por não chegarem perto de se encaixar na imposição da beleza. Além dos transtornos alimentares essas pessoas sofrem com o isolamento social e depressão, que em casos mais extremos pode levar ao suicídio.

Portanto, medidas são necessárias para resolver a problema da estereotipagem imposta na sociedade. A Mídia como meio que abrange uma grande massa de pessoas e ajuda a formação de opiniões deve, por meio de ficções engajadas, expor a realidade de quem segue o caminho da padronização e apresentar as consequências dessas escolhas, de modo que conscientize a quebre esse ciclo na sociedade. A família, por sua vez, deve dialogar com as crianças desde cedo para que as mesmas aprendam a importância da aceitação pessoal, além de incentivar o diálogo caso precisem de ajuda em questões psicológicas e estéticas. Dessa forma, será possível conscientizar a sociedade que o mais incrível da aparência de cada um, são as diferenças.