O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 02/11/2017

Diversidade de belezas

A padronização corporal, definir um corpo como ideal em detrimento do outro, está muito presente na atual cultura ocidental. No Brasil não é diferente, cada vez mais o corpo ditado como ideal é supervalorizado em comerciais e na mídia com um todo, pressionando, principalmente às mulheres, a se adequarem a determinado tipo de corpo. Todavia, a busca excessiva pelo padrão trouxe problemas para a sociedade que precisam ser enfrentados.

As indústrias de beleza, como a cosmética, indubitavelmente, são uma das principais responsáveis pelo fortalecimento da padronização corporal. Essas empresas, visando apenas o lucro, produzem comerciais ficcionais nos quais supervalorizam corpos magros e sem nenhum defeito, assim também como as novelas e filmes que só dão visibilidade a quem se encaixa nesse padrão. O ser humano como ser social, que precisa se sentir pertencente ao todo, para alcançar essa realidade fictícia das propagandas e programas de TV, procura constantemente e a todo custo alcançar o padão de corpo valorizado. Desse modo, as corporações dessa área e a mídia cooperam pela situação preocupante que se encontra o país nesse quesito.

Como consequência direta dessa situação, o indivíduos do gênero feminino, principais vítimas, utilizam métodos nocivos em prol do corpo idealizado. Não raramente é amplamente divulgado na mídia casos de modelos com anorexia ou bulimia, bem como casos de jovens que se autoaplicam remédios destinados a animais ou outros produtos para obterem hipertrofia, como no caso de Andressa Urach, que ao fazer aplicações de hidrogel, adquiriu infecção bacteriana gravíssima. Essa infeliz realidade explicita o quão forte é esse culto ao corpo ideal e o quão prejudicial pode ser, pois os jovens estão realmente dispostos a comprometerem sua saúde em busco desse corpo tão idealizado.

Urge, portanto, que a sociedade civil e poder público se unam para mitigar esse problema social. Para tanto, cabe ao CONAR regularizar e fiscalizar propagandas que preconizem um corpo como ideal. Além disso, é papel do poder legislativo, após amplo debate com a sociedade, promover, através de uma lei, o uso de cotas para modelos e atores “plus size” e maior diversidade de beleza em propagandas, novelas e filmes veiculados na Tv e redes sociais. Ademais, é necessário que as escolas promovam debates e discussão sobre a nocividade de problemas como a anorexia, a bulimia e a vigorexia, além de contratar profissionais especializados que identifiquem e encaminhem para o melhor tratamento o jovem que já sofre algum desses transtornos. Assim, o Brasil tornar-se-á um país que valoriza a diversidade de belezas, traço marcante de sua formação identitária.