O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 30/10/2017
O culto a padronização corporal não é uma invenção atual: na Grécia Antiga já manifestava-se o desejo pelo corpo ideal que era reforçado através de esculturas e pinturas de corpos ecléticos. Hoje, não é diferente à realidade enfrentada pelo Brasil, onde indivíduos se submetem a medidas radicais para alcançar o corpo perfeito, ocasionando diversos distúrbios físicos e mentais aos que fogem desses padrões. Deste modo, a realidade denuncia a extrema urgência com que esse cenário deve ser tratado.
Em primeiro lugar, é notória a condição atual imposta pelo ser humano entre a perfeição corporal e a felicidade. O filósofo Balthazar Gracian afirma que todos os humanos estão em uma constante busca pela felicidade, e que isso é o sinal de que ninguém a encontrou ainda. No entanto, paradoxalmente, os diversos meios de comunicação pregam por meio de pessoas famosas, a felicidade que se supostamente adquire ao conquistar a beleza perfeita, mediante o “status” social ou pelo número de “curtidas” que suas fotos recebem nas redes sociais. Diante disso, muitos indivíduos tornam-se insatisfeitos com sua aparência , e arriscam tudo em prol da mesma.
Outrossim, vale ressaltar as consequências arcadas para se conquistar o corpo perfeito. No Brasil, o dilema é enfrentado em sua maioria por mulheres, sendo que cerca de 80% delas relatam sentir pressão para conquistar a definição de beleza, segundo uma pesquisa realizada pela Edelman Inteligence em 2016. Ao ceder esta pressão, várias mulheres enfrentam doenças graves como anorexia, bulimia e a depressão, que propiciam intensa cobrança mental e as tornam escravas do próprio corpo. Com efeito, é possível combater essa questão através do diálogo social.
Pelo exposto, é indispensável à cooperação da população e do poder público para sanar os problemas causados pelo culto a padronização corporal. Cabe aos indivíduos difundirem campanhas virtuais que eliminem a ideia de um padrão corporal, e incentivem a valorização da diversidade humana. Ao Ministério da Saúde por sua vez, promover a conscientização por cartilhas, entregues nos postos de saúde, e em programas midiáticos alertando os riscos à saúde gerados pelas doenças físicas e psicológicas. Além disso é essencial que o Ministério da Educação apoie as escolas em promover palestras com profissionais da saúde a fim de previnir nas crianças o sentimento de padronização. Assim, observada ação conjunta da população e poder público, resolverá com êxito essa adversidade.