O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 02/11/2017

Em sua obra A ditadura da beleza e a revolução das mulheres Augusto Cury dá um grito de alerta contra essa forma de opressão que vem deixando mulheres, adolescentes e até crianças tristes, frustradas e doentes. É indiscutível a falta de representatividade exibida pela mídia Brasileira ao expor jovens a imagens irrealistas de modelos de beleza. Podemos perceber que a busca de um corpo que se encaixe em um padrão estabelecido como ideal se transformou em um dos traços característicos da sociedade contemporânea. Isso evidencia não apenas a influência midiática na construção de uma padronização corporal, como também o desenvolvimento de distúrbios e transtornos.

Historicamente, durante o período renascentista o padrão de beleza da mulher estava diretamente relacionado a mulheres gordas, seu corpo avantajado era indicativo de um elevado status social. Mais tarde, no fim do século XX, modelos altas, magras, curvilíneas sem exageros, dominaram passarelas, capas das revistas e campanhas das grandes marcas. Atualmente, a mídia atrelada a indústria de consumo dita cada dia mais a padronização e a relação capitalista entre o corpo perfeito e a sociedade recente. Em síntese, os meios de comunicação e o estilo de vida globalizado trouxeram para o os dias atuais uma relação unilateral, onde só as indústrias ganham, não é atoa que o Brasil lidera o ranking de cirurgias plásticas no mundo, foram aproximadamente 11,6 milhões de procedimentos.

Somado a isso, podemos ressaltar os efeitos decorrentes do “Complexo de Barbie” pregado na contemporaneidade. Essa doença social, vem associada com distúrbios mentais, como depressão, ansiedade, síndrome do pânico e transtornos alimentares como anorexia e bulimia. Preocupadas em corresponder aos inatingíveis padrões de beleza que são apresentados, milhares de mulheres mutilam sua autoestima e, muitas vezes, seus corpos em busca da aceitação social e do desejo de se igualarem às modelos que brilham nas passarelas, na TV e nas capas de revistas.

A CONAIR (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) junto ao Governo Federal são, portanto, responsáveis por fiscalizar propagandas comerciais veiculadas no Brasil, norteando-se pelas disposições contidas no Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária”, a fim de prevenir a publicidade atada a imposição de modelos estéticos inatingíveis. Para uma maior eficácia, escolas caminhando ao lado de profissionais da saúde, precisam levantar debates e monitorias psicológicas sobre os estigmas corporais, comprometendo-se na formação de uma nova visão realista de acordo com a miscelânea de biotipos presentes no país, possibilitando assim uma reflexão e o tratamento daqueles que convivem com os transtornos consequentes. Sendo assim, admitindo que a singularidade da beleza está justamente no seu aspecto plural.

A singularidade da beleza está justamente no seu aspecto plural.