O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 25/10/2017

“As muito feias que me perdoem, mas beleza é fundamental”. Esse famoso verso do poema Receita de mulher, escrito por Vinicius de Moraes, resume com precisão a ideia de “corpo ideal” que se instaurou como estereótipo de beleza. Entretanto, uma vez que a preocupação é estética e não possui caráter nutricional essa se torna um malefício, além de gerar uma segregação daqueles que não o possuem. À vista disso, cria-se a necessidade de debate acerca de seus aspectos.

Primeiramente, é preciso entender que a ideia da busca por um corpo “perfeito” não surgiu com a contemporaneidade. Essa é uma estética que se iniciou na Grécia antiga e, mesmo depois de diversas mudanças de padrões, continuou a se manifestar nos tempos atuais. Uma evidência deste acontecimento é a procura em grande escala de remédios e shakes que, além de prometerem perda de peso fácil e rápida, são comprados por preços altos devido a grande demanda. Desta forma, segundo preceitos já ditados por Marx, uma vez que o pensamento prevalecente em uma sociedade é instaurado pela elite, essa gera um isolamento social, dado que seria utópico pensar que o poder aquisitivo das classes menos privilegiadas acompanharia o padrão dominante.

Infelizmente, segundo relatório divulgado pela ONU em 2006, o Brasil ocupa o primeiro lugar no ranking mundial de países consumidores de remédios para emagrecer, campo que, juntamente com as denominadas “dietas malucas” promovem um risco enorme a saúde. O que acontece, na maioria das vezes, é que não fica bem explicado que remédios e alterações radicais na alimentação sem o acompanhamento nutricional, podem trazer complicações piores do que o excesso de peso. Logo, fica explícita a indispensabilidade da conscientização dos problemas que a falta de um profissional pode causar a saúde.

Pode-se dizer, portanto, que é preciso modificar os meios para alcançar o “corpo ideal”. Assim sendo, a escola, como instituição social reguladora, deve ministrar em parceria com nutricionistas, não só palestras que expliquem a necessidade de uma alimentação saudável, mas que também mostrem a importância do acompanhamento de um especialista nesse processo. Isso pode acontecer em parceria com o Ministério da Educação (MEC) e a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), que serão responsáveis pela arrecadação de fundos e pelo aprimoramento de tal politica pública. Desta forma, as crianças de hoje serão os adultos de amanhã capazes de modificar a busca problemática pelo corpo “perfeito”.