O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 01/11/2017
A ditadura do padrão corporal: preconceito velado.
“A fim de ver o mundo, temos de romper com a nossa aceitação habitual”, a frase do filósofo Maurice Merleau, explica e se enquadra no contexto vivenciado pela sociedade atual, onde foram criados e inseridos padrões estéticos que são aceitos pela massa e permanecem enraizados como valores que excluem e discriminam aqueles que não se adequam a essa realidade. Enfatizando assim, a preocupação e fatores de risco que o culto à padronização corporal no Brasil pode causar.
É necessário compreender o fato de que a mídia contribui significativamente para a formulação de um ideal comum de aceitação para o corpo humano, e atinge diretamente um público que é composto majoritariamente por adolescente e que são facilmente induzidos pelas referências mostradas. Uma vez que estão em um processo de desenvolvimento e formação de personalidade, buscam se moldar de acordo com o visto como belo pela sociedade e que é por muitas vezes, inatingível. Dessa maneira, devido a frustração encontrada, podem potencialmente desenvolver uma série de problemas como: anorexia, bulimia e vigorexia - que são relacionados a preocupação do indivíduo com o peso e a imagem corporal - , além de transtornos psicológicos como a depressão.
Além disso, é importante ressaltar que a mercado contribui para a disseminação da ditadura do corpo perfeito, uma vez que o mundo da moda gira em torno de atender a demanda de pessoas que sejam um reflexo daquilo que eles expõe na passarela, excluindo todos os demais esteriótipos. Prova disso, foi o lançamento de marcas “plus size” para atender a maioria das mulheres, somente após o artista Bakalia ter criado uma “barbie” que fugia das referências de medidas comumente aceitas, e que gerou controvérsias de opiniões quando os consumidores viram estampado em uma boneca, o tido como fora do padrão.
Fica claro, portanto, que diante da imposição ao culto de um ideal de beleza e seus reflexos sofridos na saúde do indivíduo, urge mudanças no cenário atual. Para isso, é necessário que o Ministério da educação coloque em pauta a conscientização dos limites entre saúde e estética dentro do ambiente escolar, através de palestras que contribuam para a formação de jovens com um grau mais elevado de instrução. Em paralelo com a inserção de modelos reais ao mercado da moda, realizada por órgãos privados e consequentemente, a produção de roupas com medidas mais abrangentes. Dessa maneira, essas medidas contribuirão para mitigar os problemas de saúde e psicológicos oriundos da padronização corporal.