O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 24/10/2017

NOVA GERAÇÃO

Na segunda geração do romantismo a mulher era totalmente idealizada pelo poeta, representada com acentuado nível de beleza, revelando a ideia de que uma padronização estaria surgindo. Nos dias atuais, isso vem ganhando destaque, se tornando uma grande problemática social. Isso é relatado principalmente em redes sociais que por ser um meio mais abrangente, dissemina concepções mais rapidamente, o que pode trazer grandes consequências.

Em primeiro lugar, é válido ressaltar que o ambiente virtual pode ser um aliado em relação à padronização. Isso pode ser evidenciado através das redes sociais como, por exemplo, o Instagram, o qual vivencia um movimento “fitness”, em que perfis são criados por pessoas que prometem a seus seguidores a famosa “fórmula mágica” para se conseguir o corpo ideal. Eles trazem dicas diárias de receitas culinárias, exercícios físicos, tipos de anabolizantes e remédios. No entanto, esses indivíduos, na maioria das vezes, não possuem qualquer embasamento profissional ou científico, proferindo seus conceitos equivocadamente, prejudicando a saúde de seus usuários. Logo, avaliar as fontes e buscar orientação adequada é o caminho.

Além disso, é necessário refletir sobre as consequências dessa disseminação de informações falsas na internet. Pois, com o contato direto com o corpo idealizado, o indivíduo que se vê fora desse padrão pode ser afetado emocionalmente, desencadeando uma depressão, doença encontrada em 5,8% da população brasileira, segundo a Organização Mundial da Saúde. Através desse problema pode surgir os transtornos alimentares, como a anorexia, que faz com que as pessoas deixem de se alimentar buscando cada vez mais à magreza de forma compulsória. Isso foi relatado no filme chamado “O mínimo para viver”, o qual uma jovem convive com essa questão, causando-lhe sofrimento e constantes desafios no seu dia a dia. Dessa forma, o apoio de especialistas é de extrema importância.

Fica claro, portanto, que a padronização corporal nos oferece um grande debate na sociedade. Para isso, é necessário que ONGs através de palestras e aulas, ensinem à população a procurar profissionais adequados, seja no ambiente virtual indicando sites parceiros e confiáveis da instituição, ou trazendo os médicos e educadores para participarem de maneira presencial do projeto. Ademais, é importante que esse movimento ofereça, também, uma orientação sobre os tipos de transtornos alimentares existentes, relatando suas características, fazendo com que as pessoas conheçam os riscos, evitando-os futuramente. Desse modo, podemos inventar uma nova geração romântica, aquela que preza pelo bem estar e não pela padronização.