O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 23/10/2017

Consoante a tradução da música “Born this Way - nasci assim ” da Lady Gaga, “ não há nada de errado em amar que você é, pois ele te fez perfeito”. No entanto, é inegável a preocupação com a perfeição estética, principalmente no Brasil, assim como também a convivência, pela grande maioria das pessoas, com a coerção ditatorial da beleza que a cultura midiática exercer. Dessa forma, a ânsia por alcançar o padrão estabelecido por esses sofistas contemporâneos, transforma o indivíduo em refém, sujeito ao desenvolvimento de doenças, transtornos alimentares e psicológicos causados pela incansável busca de se chegar à perfeição corporal.

Primeiramente, é preciso discorrer que os padrões de beleza sempre existiram e são determinados pela contexto histórico e cultural. Há séculos atrás, a pintura “O nascimento de Vênus” de Botticelli traz a idealização de Afrodite um pouco gordinha, o que denota que, naquele período, o corpo magro não era sinônimo de beleza. Já nos dias de hoje, o padrão é o corpo magro e definido, para alcançá-lo as pessoas vão para academias e restringem sua alimentação com a finalidade de perder medidas. A prática de restringir a alimentação pode gerar transtornos alimentares e psicológicos como a bulimia, anorexia, depressão e disformismo corporal.

Ademais, essa coerção, que leva o indivíduo a incansável tentativa de se equiparar ao padrão, ocorre através das passarelas da moda, propagandas e pela própria sociedade. Segundo pesquisas, 83% das mulheres se sentem pressionadas a atingir o padrão de beleza, ou seja, a sociedade, por meio da indústria cultural, criou a sensação de que constantemente as pessoas estão sofrendo uma seleção darwiniana que somente os belos e magros são aptos e felizes. Consequentemente, as pessoas se submetem ao uso de remédios, dietas, plásticas com o intuito de alcançar a padronização.

Portando, é necessário a destruição dessa seleção causada pela padronização corporal. O Ministério da Cultura justamente com os setores ligados à propaganda e à moda devem estimular a participação mais heterogênea das pessoas nos meios de comunicação, nas passarelas e nos anúncios publicitários, promovendo, então, a desmistificação do padrão de beleza e a aceitação pessoal do telespectador. Outrossim, o Ministério da Saúde e as Educação devem promover palestras e campanhas nas escolas – ministradas por nutricionista e psicólogos – a respeito da aceitação corporal, aonde assunto como a busca por uma vida saudável, doenças relacionadas ao tema poderão ser discutidas com ao jovens. Dessa forma, a valorização ao amor próprio será construída no jovem e ele não será refém do culto à padronização corporal.