O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 31/10/2017

A  palavra é um organismo vivo, assim como, a Língua Portuguesa, a qual é reflexo da cultura das pessoas que compõem o seu tempo, contudo, a beleza é um termo que recebe uma padronização que ultrapassa séculos. Nesse contexto, na Grécia Antiga, as esculturas e pinturas eram reconhecidas por exaltarem o corpo humano, além de, destacarem seus músculos e o porte atlético. Todavia, na contemporaneidade, o desenvolvimento das tecnologias de informação gerou uma maior cobrança e apelo aos moldes estéticos, ainda que, seja estimulado o respeito à diversidade.

Na esfera educacional é, muitas vezes, ausente essa abordagem dos padrões de beleza desde a fase infantil, uma vez que, essa instrução na infância estimula à aceitação corporal dessa criança sobre sua própria imagem. Contudo, os jovens, no período da adolescência, são os principais alvos das marcas de beleza e da indústria do consumo, devido à vulnerabilidade dessa fase transitória, o que provoca o ensejo pela adequação ao molde estabelecido como ideal. Em consequência disso, o Brasil, é recordista mundial na realização de cirurgias plásticas, segundo a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica e Estética, demonstrando o grau de frustração e insatisfação com o corpo sofrido pela alienação, principalmente, das mulheres.

Ademais, o surgimento de transtornos alimentares, bem como, psicológicos ligados à busca pela estética corporal perfeita é bem elevado e em, muitos casos, o quadro de anorexia e depressão está relacionado ao bullying sofrido na escola ou pela crítica familiar. Por outro lado, vale ressaltar que, a mídia é formadora de pensamentos e opiniões, a qual trabalha com a imagem das pessoas e, muitas vezes, reproduz o discurso da beleza e não da saúde. Desse modo, movimentos sociais, como o feminismo, buscam o rompimento com os estereótipos e padrões estéticos enraizados na cultural nacional, devido à visão moldada da mulher brasileira.

Portanto, é inegável que deve ser combatido, gradualmente, no Brasil o culto aos moldes corporais ideais. Logo, faz-se necessário que o Ministério da Educação insira o debate e o ensinamento desde a educação infantil sobre a valorização da beleza individual nas escolas, por meio da inclusão na grade curricular básica o conteúdo da estética com ênfase na saúde, para que haja uma maior aceitação corporal nas crianças e adolescentes. É importante também que, os jovens engajados em movimentos sociais forneçam apoio e ajuda àqueles que sofrem com os estereótipos de beleza e transtornos alimentares, assim como, psicológicos, por intermédio de campanhas nas redes sociais que promovam debates e encontros com pessoas que superaram esse tipo de coerção social e com profissionais da saúde, visando à qualidade de vida dessas pessoas e maior valorização das diversidades.