O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 19/10/2017
A música “Pretty Hurts” – a beleza machuca, da cantora Beyoncé, expõe que a “perfeição é a doença da nação” e, além disso, que as vestimentas são mais importantes do que os próprios pensamentos. A letra evidencia uma cruel realidade contemporânea: a supervalorização da imagem. Nesse contexto, percebe-se que milhões de indivíduos são influenciados a buscarem o “corpo ideal”, principalmente por imposições, acarretando uma série de fatores.
Em primeira análise, vale destacar a essencial característica para a busca incessante em atingir a “beleza perfeita”. De acordo com Émile Durkheim, pai da sociologia, o fato social é uma forma coletiva de agir e pensar que se impõe aos indivíduos por meio da coerção. Nesse contexto, percebe-se que milhões de pessoas, principalmente as mulheres, são induzidas a encaixarem-se em padrões estéticos, dado que a mídia – embora tenha começado a propagar a diversidade corporal existente – e, até mesmo, a própria família, influenciam os pensamentos das pessoas por meio de homens musculosos e mulheres magras. Nesse contexto, é compreensível que, em diversos casos, a alta procura por cirurgias plásticas, tratamentos a laser e academias são decorrentes do desejo em ser aceito socialmente, e não por realizações.
Diante disso, muitas pessoas que não se encaixam no dito “perfeito” buscam em atitudes, diversas vezes extremas, enquadrarem-se naquilo que é mostrado diariamente. As doenças mais comuns, em decorrência da preocupação excessiva com a massa corporal, são a bulimia e a anorexia, as quais acometem, em geral, as jovens. De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde, só em São Paulo, é registrada uma internação, em razão de tais patologias, a cada dois dias. Tal levantamento expõe a gravidade da situação, haja vista que muitos indivíduos extrapolam o limite da saúde e chegam em quadros doentios, podendo, inclusive, levá-los a morte.
Torna-se evidente, portanto, que medidas são necessárias para amenizar o impasse. Tendo em vista a questão exposta, o Ministério da Educação, em parceria com professores e psicólogos, deve elaborar pôsteres e cartilhas a serem distribuídos nas escolas, mostrando a pluralidade de beleza existentes no Brasil, com o fito de fomentar o debate acerca desta, além de contribuir para crianças e adolescentes terem consciência de que as pessoas utilizadas nas propagandas midiáticas, na quase totalidade, estão com a imagem alterada – por meio do “photoshop”. Dessa forma, os jovens crescerão e se tornarão mais conscientes da beleza individual, sendo mais flexíveis consigo.