O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 18/10/2017

Para o filósofo Platão, o importante não é simplesmente viver, mas ter uma rotina com qualidade de bem-estar. Depreende-se, nesse sentido, que o culto à padronização corporal no Brasil é fato inaceitável a ser resolvido. Isso porque tal contratempo pode ferir princípios platônicos - isto é, violar fundamentos sobre o viver bem - e impulsionar, consequentemente, realidades danosas aos afetados pela problemática - contexto que é resultado direto de ensinamentos midiáticos.

De início, convém compreender que, segundo a Organização Mundial da Saúde, saúde pode ser considerada como conforto mental, físico e social. As vítimas do problema, contudo, têm o psicológico demasiadamente afetado, haja vista as quase incessantes buscas para adquirir o “corpo ideal”. Surgem, à vista disso, várias doenças decorrentes desse panorama, como são os casos da bulimia e da anorexia - que são transtornos mentais alusivos também a danos corporais. Percebe-se, dessa forma, que não é razoável permitir que esse cenário seja comum no país, uma vez que a saúde de inúmeros indivíduos é prejudicada.

Diante disso, nota-se que, assim como o crítico George Orwell alega, os meios de comunicação podem ser considerados controladores de massa. Logo, por meio de, por exemplo, novelas e revistas, o sistema midiático - que costuma propagar determinados padrões corporais - age decisivamente na manutenção da problemática, uma vez que estruturas magras femininas e complexos musculosos masculinos são rotineiramente veiculados como sinônimos de vida saudável e socialmente aceita. Não é à toa, por conseguinte, que famosos como Giselle Bundchen e Caio Castro, isto é, indivíduos que se encaixam nesses estereótipos, sejam vistos como exemplos a serem seguidos pela sociedade. Destarte, seja pelo combate às doenças causadas por essas circunstâncias ou pela valorização de todas estruturas corporais,esse revés deve ser solucionado, de forma a preservar a saúde populacional.

Esse panorama, portanto, é contratempo originado, principalmente, pela mídia e acarreta malefícios. Para resolver isso, cabe a organizações não governamentais defensoras da questão começar parcerias com escolas e instituições de cada cidade para abrir planos de enaltecimento à diversidade brasileira, por meio da distribuição de panfletos e de debates sobre o tema em palestras. Acresce, ainda, que compete ao Ministério da Saúde, por intermédio da criação de projeto que ofereça urgência em casos de acompanhamentos com psicólogos aos afetados pelo problema, dar apoio a vítimas de doenças como anorexia e bulimia, que tendem a ser causadas por pressão social. Feito isso, os estereótipos corporais deixarão de ser grande obstáculo no Brasil, bem como o conceito platônico sobre bons modos de vida passará a ser mais frequente no país.