O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 18/10/2017

Historicamente, o culto à padronização corporal sofreu inúmeras modificações. Na Grécia Antiga, os espartanos eram subjugados ao estereótipo do corpo perfeito, sendo comum a prática do infanticídio decorrente de malformações congênitas. Conquanto esse período tenha findado, o culto à homogeneização corporal ainda permanece intrinsecamente ligado à realidade brasileira, seja pela influência dos aparatos digitais, seja pela lenta mudança do ambiente escolar.

Mormente, é indubitável que a mídia esteja entre as causas do problema. De acordo com Pierre Bourdieu, a mídia foi criada para ser um mecanismo de democracia direta. De maneira análoga, é possível perceber que, no Brasil, a teoria proposta pelo sociólogo é rompida, haja vista que, embora existam leis que regulamentem as propagandas televisivas, ainda existe uma difusão do utópico corpo ideal, como os muitos comerciais de suplementos emagrecedores.

Outrossim, é inconteste que o âmbito escolar seja um agravante. Segundo Immanuel Kant, o ser humano é produto da educação com a qual foi socializada. Seguindo essa linha de pensamento, observa-se que a problemática pode ser inserida na teoria do filósofo alemão, uma vez que, se um indivíduo sofre com uma segregação social decorrente de sua aparência física, tende a modificá-la e, consequentemente, consolida o culto à padronização corporal.

Entende-se, portanto, que a mídia e a escola são uma forte base para o problema. Nessa perspectiva, o Governo Federal, em parceria com o CONAR, deve coíbir propagandas que incentivem à homogeneização do corpo, além de criar plataformas online para a denúncia de clínicas de cirurgia plástica clandestinas. Paralelamente, o MEC, com o apoio das secretarias estaduais e municipais de educação, deve implementar, no ensino de base, o estudo da heterogeneidade do corpo, com o fito de estimular a aceitação corporal e combater o bullying. Assim, construir-se-á uma sociedade de menos Narcisos e mais saúde.