O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 20/10/2017
Atualmente a sociedade brasileira vive imersa à padronização corporal. Entretanto, a imposição de padrões faz com que mulheres vivam infelizes por não conseguirem o sonhado corpo perfeito. Nesse contexto, deve-se analisar como a criação patriarcal e a influência midiática corroboram para disseminação da problemática.
Parafraseando o sociólogo Pierre Bourdieu, toda sociedade incorpora os padrões sociais impostos e os reproduz ao longo das gerações. Deste modo, o ideal estético corporal é imposto há séculos, pois o sistema familiar brasileiro é patriarcal e desde cedo estimula meninas a cuidarem da aparência e buscarem a perfeição para serem aceitas pelos homens. Assim, mulheres não são estimuladas a gostarem do próprio corpo e vivem em busca de meios que as façam serem belas como os padrões querem.
Ademais, a mídia trabalha para a indústria da beleza, essa que arrecada receita advinda da insegurança corporal, promovendo produtos que prometem dar o idealizado corpo perfeito, e para isso usam modelos fora dos padrões das mulheres comuns. Aguçando à busca pelo ideal, porém esse ideal muitas vezes é inalcançável devido a vasta diversidade genética existente.
Outrossim, o Brasil segue alimentando o culto à padronização. Para atenuar a problemática , é necessário que o Ministério da Educação em parceria com o Conselho Federal de Psicologia, desenvolva um material didático para ser lecionado nas escolas com o objetivo de romper o esteriótipo padronizado de corpo e incentive meninas e meninos a enxergarem as diversidades corporais como algo normal e natural, uma vez que, de acordo com o filósofo Immanuel Kant, o homem é aquilo que a educação faz dele. Destarte, cabe ao CONAR apontar as empresas que não explorarem a diversidade cultural e corporal das pessoas em propagandas. Assim, as mulheres poderão se aceitar e entender que é natural não ser igual ao outro.