O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 17/10/2017

As faces de um único poder se desenvolvem entre incentivo e extirpação

O grande escritor William Shakespeare afirmava que, “Uma coisa bela persuade por si mesma, sem necessidade de um orador.” Tomando por base este pensamento pode-se extrair um conceito de que a beleza não é algo que deva ser padronizada, isto é, não existe a necessidade de alguém ditar o que é belo, pois a naturalidade traz consigo a essência da formosura.

Entretanto o mundo contemporâneo é constituído por padrões de beleza, os quais são apresentados pela mídia, fazendo com que os indivíduos que receberam a mensagem, sintam-se na obrigação de possuir um corpo semelhante, independente dos meios necessários para alcançar tal “perfeição” corporal, como exemplo: transtornos alimentares, sendo estes anorexia, bulimia e vigorexia.

A partir do momento que um ser humano decide que é preciso viver conforme os padrões da sociedade, ele começa a tomar atitudes agressivas e prejudiciais à sua própria saúde.

Um caso apresentado em uma novela da Rede Globo, apresentou o caso de uma jovem que sofria de bulimia e a mesma possuía um blog, o qual influenciava meninas conforme suas experiências de vida. Com o mundo globalizado é extremamente comum casos semelhantes, que ocasionam  em graves e perigosas consequências, tais como, perda excessiva de peso, anemia, imunidade baixa, e até mesmo a morte, se não for identificado o transtorno a tempo.

O padrão imposto pelos meios de comunicação é aceito dia após dia pelas pessoas, em destaque, as mulheres, todavia ainda que muitos afirmem que cada ser possui uma beleza única, a outra parcela da população ainda acredita no corpo idealizado pela mídia.

Uma pesquisa divulgada em 2014 mostrou que o Brasil é o país campeão em número de cirurgias plásticas, segundo dados da International Society of Aesthetic Plastic Surgery (ISAPS), ou seja, um país que implicitamente e explicitamente cria padrões estéticos perfeitos para serem seguidos. Uma maneira de se livrar de tais imposições, seria uma ação da mídia em favor de padrões incomuns, um exemplo seria um empenho maior em  divulgações de campanhas de modas com modelos plus sizes, propagandas demonstrando que a qualidade de vida não está somente presente em pessoas magras ou musculosas e sim em qualquer ser humano que se empenhe a favor de obtê-la.

Logo, diante do exposto é possível concluir que a mídia tem tanto influência direta para incentivar a padronização corporal, como também possui artifícios para erradicá-la, se posicionando contra o uso de photoshop e a idealização de um modelo estético impecável.