O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 17/10/2017
A valorização do corpo se tornou o imperativo do viver contemporâneo. Visto pelos meios de comunicação como algo que pode ser manipulado ou modificado, esse vem se tornando um dos polos mais profundos dos desejos humanos e, consequentemente, uma fonte inesgotável de investimento e lucro. Mediante ao fácil acesso a diversos recursos ligados à boa forma, o corpo tornou-se um laboratório no qual se redesenha a condição humana, que deve estar sempre a serviço da perfeição, mesmo que essa simbolize uma negação da saúde a uma submissão a padrões irreais.
Um dos principais promotores do culto ao corpo são os veículos midiáticos.Valendo-se da imagem de celebridades, eles estipulam padrões corporais inalcançáveis a serem intransigentemente seguidos, colocando a magreza extrema, a beleza euro-ocidental e a juventude eterna como os objetivos fundamentais homem contemporâneo. Além disso, esses vinculam a imagem do corpo supostamente perfeito como o caminho único para a obtenção de sucesso e felicidade, condenando aqueles que não se adequam à esse padrão ao fracasso, contribuindo, dessa forma, para o enraizamento do preconceito e para o aumento da incidência de distúrbios alimentares, como bulimia e anorexia.
.Valendo-se dessa busca incessante ,a indústria financeira passou a utilizar o corpo como fonte inesgotável de lucro. Assim, ela bombardeia a vida cotidiana com cosméticos supostamente milagrosos, produtos “lights” e fórmulas mágicas para o emagrecimento, que podem apresentar riscos a saúde humana. Segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, essa obsessão se explica em função da intolerância ao sofrimento e à espera, que faz com o que o homem procure soluções rápidas para seus problemas, esperando que essas possam ser compradas em lojas. O aumento da realizações de procedimentos cirúrgicos arriscados é um retrato de uma sociedade imediatista que se submete a intervenções corporais em nome da ascensão social, relegando a saúde a segundo plano e discriminando aqueles que não se adequam aos padrões irreais e inalcançáveis ordenados pelo viver cotidiano.
Portanto, diante da ameaça que o culto ao corpo apresenta para saúde e a integridade humana, o o Ministério da Saúde pode promover campanhas acerca da importância da valorização da saúde acima de quaisquer padrões impostos a serem vinculadas nos meios de comunicação social. Além disso, esse também pode oferecer assistência médica e psicológica a pessoas que sofrem de distúrbios alimentares ou de transtornos metabólicos. Ademais, O Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (CONAR) deverá regular propagandas que incitem a adoção de padrões estéticos com maior rigidez, promovendo a diversidade de aparências. Posto isso, será possível mitigar a busca desmedida e exacerbada pela perfeição corporal.