O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 15/10/2017
O filme “O Mínimo para Viver”, da Netflix, retrata o drama de uma garota que sofre de anorexia, por não se sentir parte dos padrões estéticos pré-estabelecidos da sociedade na qual vive. Nesse contexto, fora da ficção, no Brasil, essa conjuntura é uma realidade, principalmente, entre os jovens. Todavia, hodiernamente, é imprescindível garantir a diminuição do culto a padronização corporal, pois tal problemática ainda apresenta alguns entraves, haja vista não só aspectos socioculturais, mas também a mídia.
Em primeira instância, vale salientar que as heranças culturais ligadas ao relacionamento entre mãe e filha corrobora o empecilho. De fato, no Brasil colonial, a matriarca da família era quem preparava sua filha para o casamento. Diante disso, a mulher enquanto jovem tinha que ser magra, branca, e sempre preocupada com a beleza, pois havia a necessidade de encontrar um marido. Nesse sentido, contemporaneamente, muitas famílias ainda possuem esse pensamento retrógrado, como por exemplo quando uma filha é mais desleixada perante as outras a mãe logo fala “vai ficar pra titia”, o que ocasiona, na maioria das vezes, em exclusão social e, posteriormente, depressão.
Ademais, cabe ressaltar que há uma mancha presente na mídia intensificando ainda mais o impasse. Isto é, Os donos das revistas, com o intuito de lucrar mais, colocam mulheres esbeltes nas suas capas, para que transpareçam para o indivíduo feminino, uma visão de que a beleza é o fator mais importante na vida delas. Visto que, como já dizia Zigmunt Baumant, filósofo contemporâneo, ““a aparência, fluida e passageira, é mais valorizada em detrimento dos valores e princípios pessoais, por ser caracterizada pelo volátil”. Desse modo, muitas mulheres, vítimas do capitalismo, vivem em uma busca incessante de entrar no padrão social e esquecem seus próprios ideais. Consequência disso, é a frustração e o sentimento de inferioridade por não conseguirem se enquadrar no corpo perfeito idealizado pelas revistas.
Torna-se evidente, portanto, a essencialidade de romper esses laços socioculturais e a mancha presente na mídia, com o propósito de quebrar os padrões estéticos pré-estabelecidos. Para isso, as progenitoras das famílias, por meio de ações educativas realizadas pelas escolas e universidades, devem fazer uma autoavaliação a respeito dos paradigmas impostos por elas, com a finalidade de reconhecerem se estão ajudando ou estão excluindo socialmente suas filhas. Outrossim, a mídia, a partir do Ministério da Saúde, deve criar propagandas, nos comerciais de TV, com o fito de valorizar a beleza singular que cada mulher possui, e evidenciar as suas desagradáveis consequências. Assim sendo, a padronização corporal ficará apenas na ficção, e não impregnada na sociedade brasileira.
Na novela “A Força do Querer” tem uma mãe que está sempre em conflito com sua filha por causa do modo como a menina se veste, come e se comporta, ela está mais preocupada no que os outros vão pensar do que no que a própria filha sente. Desse modo, as telenovelas, como influenciadora social, passa para o telespectador uma olhar