O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 12/10/2017

Uma mente sã em um corpo são era tudo o que o ser humano deveria ansiar, de acordo com o poeta romano Décimo Juvenal. Entretanto, é perceptível que isso não se aplica ás pessoas inseridas em nossa sociedade contemporânea, visto que refletem uma mente irracional em um corpo que também o é. Tudo isso, em pró da conquista de um padrão de beleza inatingível, que muitas vezes as leva a cruzar o limite entre a estética e a saúde.

Atualmente, é preocupante o uso que homens e mulheres fazem de certos processos e substâncias para adquirirem o estereótipo de aparência pregado: anabolizantes para musculatura, medicamentos para perda de peso, cirurgias plásticas para a reconstrução do corpo ou do rosto; tudo isso está incluído em seus cotidianos. No Brasil, por exemplo, ficou conhecido o “Ken Humano”, jovem que realizou cerca de noventa cirurgias para ficar parecido com o par da boneca Barbie. Tal extremismo em busca da estética perfeita o levou a beira da morte.

E não só danos físicos, como também psicológicos são causados aos indivíduos, vítimas constantes desta ideologia de busca a perfeição exterior. Inúmeras pessoas que não fazem parte do padrão aceito são isoladas, acabando por sofrer preconceitos e até mesmo bullying, o que geralmente as leva a depressão e baixa autoestima. Em casos mais graves, há o desenvolvimento até mesmo de distúrbios alimentares, como a anorexia e a bulimia. E em virtude das propagandas e do corpo cultuado pela mídia e pela indústria da moda, tais efeitos apenas se disseminam e agravam.

Portanto, para resolver tal impasse, seria necessária a participação de ONG’s que pressionassem tais corporações a incluírem diferentes tipos de corpos em seus trabalhos, para que as pessoas passassem a ter uma maior identificação ao assistir suas propagandas e consumir seus produtos, e assim aprendessem a aceitar suas singularidades. E também, a intervenção do governo, efetivando a sanção de leis que visassem reduzir o número de publicidade das medicamentosas usadas para a perda de peso. Desta maneira, seria possível a amenização dos malefícios, assim como o entendimento do corpo social de que não é sinal de beleza e saúde (mental ou física) se encaixar nos modelos utópicos que são idolatrados.