O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 12/10/2017

Na letra da música “Pretty hurts”, a cantora pop star, Beyoncé, faz uma crítica às imposições e o uso intensivo de métodos para se alcançar a aparência perfeita. Na sociedade brasileira, esta é uma realidade vivida por muitas pessoas, as quais são vítimas do incessante bombardeamento das indústrias de consumo. Mediante a isso, cabe discutir sobre as imposições do padrão aparência e a procura incansável da beleza ideal.

Em primeiro lugar, é importante ressaltar a disseminação de padrões de beleza pela indústria cultural. No Brasil, a partir da década de 20, com a chegada do cinema e posterior democratização do acesso a tv, o ideal de beleza passou a ser disseminado através de propagandas produzidas por indústrias de cosméticos e moda, por meio da utilização de modelos masculinos e femininos- símbolos de perfeição- como estratégia de persuasão e venda. Neste sentido, nota-se como o processo de super valorização da aparência e busca pelo corpo ideal são impostos, gerando assim um impacto negativo na sociedade, uma vez que os indivíduos passam a idealizar determinada beleza e a partir daí passam a buscá-la incessantemente.

Seguindo o mesmo racicínio, cabe salientar a problemática da busca insaciável da aparência perfeita. Segundo nietzsche, filósofo contemporâneo, o homem nunca se contenta com as conquistas de seus desejos, pois sempre deseja por mais à medida que alcança um objetivo. Com isso, pode-se inferir, no contexto da busca pela beleza ideal, que o indivíduo submete-se à consecutivas e exageradas práticas, como, por exemplo, uso de cirugias plásticas ou abuso nos exercícios físicos, chegando à situações extremas, como os casos do ken e barbie humanos, os quais devido à inumeras intervenções cirúrgicas, são intitulados de bonecos humanos.

Em suma, infere-se que o culto à aparência é um mal na sociedade, e para solucionar tal problemática, é preciso o trabalho na sociedade, através de programas sociais, por profissionais especializados, que debatam sobre a importância da aceitação do próprio corpo. As Ongs também têm papel fundamental na criação de palestras de conscientização e de debates sobre os limites da busca pelo corpo ideal. E a mídia propagandista,por último, tem o papel social de incentivo à valorização e aceitação pessoal do indivíduo. Assim, é possível experimentar uma sociedade saudável e livre de imposições sociais.