O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 12/10/2017

A busca incessante pelo corpo perfeito remonta à antiguidade, como na Grécia Antiga em que a valorização do corpo atlético era intensa. Esse fenômeno conhecido como corpolatria, é resultado de uma sociedade narcisista e altamente influenciável pela mídia que, por sua vez, impõe um rígido padrão de beleza.

A mídia é, sobretudo, a principal causa da construção e permanência dos padrões estéticos na sociedade pós-moderna. A partir de 1980, o corpo ganha mais espaço, principalmente nos meios midiáticos. Não por acaso que foi nesse período que surgiram as duas maiores revistas brasileiras voltadas para esse tema: “Boa forma” e “Corpo a Corpo”. Desse modo, todo esse culto ao corpo acaba por segregar a sociedade, principalmente os jovens, fazendo com que eles comecem uma corrida interminável tendo como alvo a perfeição.

Paralelo a essa situação está a efemeridade e a obsolência programada criada pelo consumo. No século XX, os filósofos Theodor Adorno e Max Horkheimer  já apregoavam o poder de convencimento e usurpação da Indústria Cultural, que utiliza dos mais diversos mecanismos persuasivos para a construção da imagem perfeita. Dessa forma, há sempre um novo produto, uma nova  moda para que o indivíduo possa se enquadrar. Com isso, é estabelecido um ciclo: enquanto a indústria de alimentos vende produtos engordativos a indústria da beleza oferece os mais variados meios de emagrecimento.

Portanto, percebe-se, que a ditadura da beleza origina sujeitos aprisionados ao consumo e a incessante busca pelo padrão perfeito. Nesse sentido, as instituições de ensino poderiam trabalhar a psicologia como uma disciplina efetiva, para que as crianças desenvolvessem a capacidade de reconhecimento e aceitação do próprio corpo. Ademais, a mídia deve desenvolver projetos de propagação da heterogeneidade  estética existente no país, por meio de propagandas educativas nos veículos de comunicação, com o intuito de superar os ideias de beleza.