O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 30/10/2017
A pau sim, Juvenal
A história mostra que os padrões corporais é algo inerente de todas as sociedades. Na Grécia e na Roma do período antigo, por exemplo, surgiram as academias de musculação para alcançar a força e proporcionalidade estética almejadas. No que se refere à essa temática na realidade brasileira, é possível destacar tanto aspectos positivos quanto negativos. Se por um lado, esse ideal pode contribuir para a implantação de hábitos saudáveis, por outro, pode disseminar práticas nocivas.
Em princípio, deve-se considerar os recentes parâmetros de beleza e como eles podem ajudar na solução de doenças. Na televisão e nas redes sociais vê-se o grande sucesso de mulheres que compartilham sua rotina “fitness”. Levando esse ideal em consideração e os exercícios necessários para alcançá-lo, percebe-se um movimento que vai na contra-mão da má alimentação e do sedentarismo. Assim, ao incentivar a prática de atividades físicas e o controle nutricional, diminui-se a incidência de obesidade, diabetes e problemas cardiovasculares - doenças que mais acometem pessoas pelo mundo todo, de acordo com a Organização Mundial de Saúde.
No entanto, sérias implicações são causadas quando essa massificação promovida pelas mídias se torna desregulada. Ao desconsiderar as diversas formas de corpos saudáveis e compartilhar apenas um modelo como ideal, ela provoca, no público, a sensação de que apenas o enquadramento nele é capaz de gerar felicidade e sucesso. Esse aspecto faz com que, aqueles que não possuem as determinadas características fisiológicas, utilizem remédios indiscriminadamente, façam cirurgias e até desenvolvam doenças como a bulimia. A cantora Beyoncé, que critica essa consequência na música “Pretty Hurts”, por exemplo, revela que afinou o nariz a fim de aproximar-se da fisionomia caucasiana e encaixar-se no arquétipo para, só então, ser reconhecida por sua voz.
Portanto, fica claro que a existência de um modelo estético, ao mesmo tempo que pode ser benéfico à sociedade, sem um devido controle, pode ocasionar diversos problemas. Para regulá-lo, é necessário que a mídia divulgue a saúde como principal parâmetro através de novelas, reportagens e desenhos infantis, abrangendo todas as idades e ressaltando a diversidade dos tipos de corpos saudáveis. Esse posicionamento deve ser cobrado pela população por meio de movimentos na internet, como o uso de “hashtags”. Dessa forma, o conceito do poeta românico Juvenal: mente sã num corpo são.