O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 20/10/2017
Segundo o mito grego, Narciso amava-se incondicionalmente, sua imagem e o enaltecer do “eu” eram prioridades. O mundo contemporâneo encontra-se pleno de Narcisos, indivíduos que só se preocupam com a própria imagem e que buscam seguir um padrão corporal e de beleza estabelecidos, principalmente, pela mídia. Com isso, vários brasileiros são sujeitos a diversos processos para melhorar a estética, o que pode causar consequências. Diante disso, adotar ações afirmativas que valorizam a diversidade, o respeito e a beleza de cada um, mostram-se o melhor caminho para acabar com essa padronização.
José Ortega y Gasset, filósofo espanhol, define o perfil do homem atual como homem-massa. Para ele, o cidadão de hoje não passa de alguém que sofre influências, que tem comportamentos determinados por algo externo a ele. Por certo, sua teoria se relaciona com o culto à padronização corporal no Brasil, visto que o atual panorama do país é embasado na imposição de um padrão de beleza pela mídia e no individualismo. Dessa forma, as imagens divulgadas em revistas e as propagandas televisivas — com pessoas magras, musculosas e bronzeadas — influenciam vários indivíduos, gerando uma crescente preocupação com a imagem e a estética, e uma tentativa de se enquadrar no padrão imposto.
Assim, essa busca pelo “ideal” pode causar várias consequências. Isso porque, devido à insatisfação com o corpo — principalmente no caso das mulheres —, muitas pessoas investem em cirurgias plásticas, dietas, uso de remédios e cosméticos. No entanto, a saúde pode ser muito prejudicada com esses processos, visto que podem gerar transtornos alimentares, como anorexia e bulimia, causar problemas cardiovasculares e irritações na pele. Além disso, esse culto à imagem gera exclusão social, pessoas ficam desempregadas e são estereotipadas pois não se encaixam no padrão estabelecido, podendo desenvolver depressão e baixa auto estima.
Fica claro, portanto, que existe uma padronização corporal e de beleza no Brasil que precisa ser solucionada. Logo, faz-se necessário que o Ministério da Educação e a mídia, discutam essa realidade, promovendo a aceitação do outro e a valorização do próprio corpo e da saúde, por meio de trabalhos escolares que respeitem a diversidade, comerciais e propagandas que exploram todo tipo de beleza e corpo, além de palestras que mostram os problemas do excesso da busca pelo “corpo ideal”. Assim, as pessoas vão se aceitar do jeito que são e não vão se sentir fora do padrão.