O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 07/10/2017
Segundo o historiador Sérgio Buarque de Holanda, o brasileiro é suscetível a influências estrangeiras, e a publicidade atual é a consequência direta da globalização. Diante de tal contexto, as empresas, para se manterem ativas e competitivas, passaram a fazer uso dos anúncios e retóricas e isso perpassa pelo culto à padronização corporal. Prova disso são os dados da “Endelman Intelligence” que afirma que mais de 80% das mulheres se sentem pressionadas a atingir a definição de beleza, fazendo-se necessária a discussão desse problema retrógrado a ser combatido.
É pertinente considerar, antes de tudo, que por meio da autorregulação, a indústria publicitária tende a priorizar o lucro. Para o sociólogo Marx, o capitalismo através do acúmulo de riquezas, decide os padrões dos indivíduos no meio no qual estão inseridos. Dessa forma, as empresas se valem de estratégias para propagar o “corpo ideal” por meio de novelas e filmes, buscando convencer as pessoas que isso traz a aceitação social e, consequentemente, estimula o consumismo. Fica claro que o monopólio dessas corporações sobre o capital faz com que essa situação persista.
Em outra vertente, dentre as consequências que esse impasse ocasiona destacam-se as individuais e sociais. Para as vítimas, ressalta-se que a “ditadura da beleza” pode levar a danos psicológicos, como preconceito, segregação e depressão, e físicos, geralmente, resultantes de diversas cirurgias e processos estéticos e de transtornos alimentares, tendo como expressão máxima o óbito. Um caso marcante foi o da atriz Débora Nascimento que sofreu anorexia e desenvolveu depressão e baixa autoestima. Para o meio social, há o aumento dos gastos para os setores públicos e privados, uma vez que tem-se uma maior demanda por serviços de saúde para tratarem os indivíduos com distúrbios. Sem dúvidas, esse impasse afeta negativamente a sociedade como um todo.
Mediante os fatos elencados, é imprescindível erradicar essa problemática. Por isso, o Ministério da Cultura deve criar e fiscalizar rigorosamente leis que tenham o culto ao corpo exacerbado como crime em horários de pico na rede aberta. De acordo com o filósofo Immanuel Kant: “o ser humano é aquilo que a educação faz dele”, assim sendo, o MEC, em parceia com as escolas, precisa promover campanhas, visando atingir às crianças e aos jovens, que ensinem a importância de respeitar o próprio corpo de forma saudável. Também é fundamental que revistas e novelas mostrem tipos mais variados de corpos, prezando pela diversidade. Com essas ações a sociedade caminhará em direção ao progresso.