O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 05/10/2017

“As muito feias que me perdoem, mas beleza é fundamental”. Esse famoso verso do poema Receita de Mulher, escrito por Vinicius de Moraes, resume com precisão a ideia de “corpo ideal” que se instaurou como estereótipo de beleza. Entretanto, uma vez que a preocupação é estética e não possui caráter nutricional essa se torna um maleficio, além de gerar uma segregação categoria daqueles que não o possuem. À vista disso, cria-se a necessidade de debate acerca de seus aspectos.

Primeiramente, é preciso entender que a ideia da busca por um corpo “perfeito” não surgiu com a contemporaneidade. Essa é uma estética que se iniciou na Grécia antiga e, mesmo depois de diversas mudanças de padrões, continuou a se manifestar nos tempos atuais. Uma evidencia deste acontecimento é a procura em grande escala de remédios e shakes que, além de prometem perda de peso fácil e rápida, são comprados por preços salgados devido a grande demanda. Desta forma, segundo preceitos já ditados por Marx, uma vez que o pensamento prevalecente em uma sociedade é instaurado pela elite essa gera um isolamento social dado que seria utópico pensar que o poder aquisitivo das classes menos privilegiadas acompanharia o padrão dominante.

Infelizmente, segundo relatório divulgado pela ONU em 2006, o Brasil ocupa o primeiro lugar no ranking mundial de países consumidores de remédios para emagrecer, campo que, juntamente com as denominadas “dietas malucas” promovem um risco enorme a saúde. O que acontece, na maioria das vezes, é que não fica bem explicado que remédios e alterações radicais na alimentação sem o acompanhamento nutricional podem trazer complicações piores do que o excesso de peso. Logo, fica explicita a indispensabilidade da conscientização dos problemas que a falta de um profissional pode causar a saúde.

Assim sendo, é preciso tomar medidas para solucionar o impasse. O Ministério da Educação em parceria com escolas públicas e particulares deve instaurar palestras, ministradas por educadores e nutricionistas, que expliquem a necessidade de uma alimentação saudável e com o acompanhamento de especialistas. A mídia por sua vez, em parceria com o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária, precisa criar propagandas que ajudem a respeitar e valorizar as diferentes formas corporais.