O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 04/10/2017

“As feias que me perdoem, mas beleza é fundamental”. A conhecida frase do poeta Vinícius de Morais revela-se não só politicamente incorreta, mas permite uma reflexão acerca do conceito de belo difundido pela mídia e absorvido pela sociedade: mulher magra e homem musculoso. Assim, em uma sociedade de consumo que vende um ideário de imagem perfeita é natural que as pessoas tenham consequências danosas, tanto físicas quanto psicológicas, em suas vidas.

A sociedade atual, vive a realidade ocidental da cultura de massa, na qual a mídia divulga modelos a serem seguidos de acordo com a ilusão de plenitude proposta pelo consumismo desenfreado. Esses modelos originam um verdadeiro cenário ditatorial da beleza em que empresas exploram a insegurança do indivíduo com o próprio corpo para vender os mais diversos produtos de beleza. Nesse contexto, os mais jovens são os mais afetados devido à pressão para a inserção no meio social, em que o padrão estético é condição de aceitação e inclusão. Assim, propagandas veiculadas nas mídias estão o tempo todo tentando vender o que não está disponível nas prateleiras: sucesso e felicidade.

Cabe pontuar que não há problema em querer cuidar do próprio corpo. Entretanto, o que merece atenção é o desequilíbrio de práticas que podem desencadear distúrbios graves como anorexia, bulimia e vigorexia – que é a obsessão por músculos. Além disso, a valorização do corpo em direção à perfeição física pode acarretar constantes frustrações com modelos e ideais muitas vezes inatingíveis pela maioria das pessoas. Assim, o que deveria trazer felicidade, traz angústia e insatisfação.

Percebe-se, portanto, a necessidade de promover no indivíduo uma maior aceitação pessoal. Para contornar essa conjuntura é preciso que o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (CONAR) regule o apelo exagerado em propagandas que explorem estereótipos físicos, com a finalidade de limitar o estabelecimento de certos padrões de beleza na sociedade. Ademais, as instituições de ensino poderiam trabalhar a psicologia como uma disciplina efetiva para que os estudantes desenvolvam a capacidade de reconhecimento e aceitação do próprio corpo frente ao ambiente plural da sociedade.