O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 02/10/2017

Ao longo da história da humanidade, os diferentes povos que viviam espalhados por todo o planeta apresentavam uma imensa variedade de ideais estéticos, cada qual adaptado à realidade dos hábitos culturais de cada grupo.. No entanto, com a implantação da cultura em massa pela globalização, esses ideais foram uniformizados em um padrão que é, no Brasil, impulsionado não só pela pressão exercida pela mídia, como também pela postura de desvalorização da diversidade verificada na mentalidade brasileira. Como consequência disso, ocorre um aumento no número de pessoas com distúrbios alimentares. como a anorexia, e uma padronização exagerada do comportamento social.

Como já foi dito, a maioria dos veículos de mídia possem a tendência de cultuar um ideal estético distante da realidade de muitos, em detrimento de outros tipos de aparência mais próximos do cotidiano brasileiro. Tal fenômeno pode ocorrer por meio de novelas e outros programas, onde os personagens que apresentam esse padrão de beleza são bem-sucedidos, enquanto os demais ocupam, geralmente, os núcleos menos favorecidos. Como afirma o filósofo Luiz Felipe Pondé, a sociedade é o espelho da mídia e vice-versa. Logo, na busca para adaptar-se na realidade ditada pelos meios de comunicação, membros da sociedade acabam recorrendo a hábitos, drogas e procedimentos danosos a saúde.

Nesse sentido, a própria desvalorização da diversidade cultural, observada no Brasil, reforça a padronização corporal. Embora seja um país influenciado por diversas culturas e povos, os indivíduos brasileiros com aparência não correspondente ao padrão podem sofrer para incluírem-se socialmente, principalmente as mulheres, que sofrem maior pressão social para atender a esse ideal estético. Isso é indicado por uma pesquise feita pela Edelman Intelligence, que sinaliza o fato de que seis de cade dez mulheres acreditam que ter o tipo “ideal” de aparência é essencial para o sucesso. Como resultado, a busca por esse padrão promove uma parcial uniformidade na população, afetando assim a diversidade.

Para combater efetivamente essa problemática, é necessário, primeiramente, que a própria população brasileira mude sua postura, tornando-se mais receptiva em relação a  diversidade cultural que abrange o modo como cada um se veste e se aparenta. Desse modo, o respeito pela variedade será instalado e outras atitudes terão mais impacto. As secretarias de educação, por sua vez, podem promover palestras e discussões com alunos sobre a aceitação corporal, tema que traz muito impacto na adolescência, fase onde os indivíduos são ainda mais influenciados pela pressão social. De tal maneira, os alunos ficarão mais preparados para lidar com essa pressão e não prejudicarem sua saúde buscando esse padrão. Por fim, a mídia deve abandonar o culto a ideais estéticos e adotar o incentivo aos valores humanos na programação, para que esses sim possam ser refletidos na sociedade.